Portugal recebeu 91 escalas de voos da CIA

A comissão temporária do Parlamento Europeu sobre a CIA está preocupada com 91 escalas de aviões da agência dos EUA feitas em aeroportos de Portugal e encoraja as autoridades do país a investigar de forma mais aprofundada algumas delas.

O projecto de conclusões finais da comissão, que hoje vai ser apresentado em Bruxelas pelo eurodeputado-relator Claudio Fava e ao qual o DN teve acesso, realça três voos que tiveram origem ou destino na base de Guantánamo (que depois de 2001 foi transformada em centro de detenção para suspeitos de terrorismo).

O documento, que ainda pode sofrer emendas e cuja versão final deve ser votada em Fevereiro, deplora que tenham feito escala em Portugal aviões utilizados pela CIA, noutras ocasiões, na entrega extraordinária de suspeitos como Abu Omar (o imã raptado em Milão) ou Maher Arar (que diz ter sido torturado na Síria).

O projecto de conclusões da comissão liderada pelo eurodeputado português Carlos Coelho anotou, no etanto, o facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, ter criado, a 26 de Setembro , um grupo de trabalho interministerial para examinar procedimentos e possíveis falhas sobre esta questão.

Apesar de dedicar dois pontos a Portugal, o documento é muito mais duro com outros dos 17 países que nele surgem referidos, como é o caso de Itália, Alemanha, Reino Unido ou Polónia. Este último pela ausência total de colaboração com a comissão, não apenas no caso dos voos da CIA mas também no dos chamados centros de detenção secretos da agência.

O texto, da autoria de Fava, fala num total de 1245 voos da CIA, desde o 11 de Setembro . E denuncia, em geral, a oposição de alguns países da UE em responder ao facto de George W. Bush ter admitido, em Setembro , a existência de centros de detenção secretos fora dos EUA e a transferência de presos para Guantánamo .

Além de criticar a insuficiente colaboração de responsáveis europeus, como Javier Solana ou Gijs de Vries, e de elogiar a de outros, como Franco Frattini, o documento do socialista italiano pede o encerramento de Guantánamo e diz que as rendições extraordinárias foram contraproducentes na luta ao terrorismo.

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