Inimigo número um da América

Bin Laden teve os soviéticos como primeiro alvo da sua guerra santa. Hoje, são os Estados Unidos.



A cabeça de Osama Ben Laden valia até ontem cinco milhões de dólares, a quantia prometida pelos Estados Unidos a quem forneça informações que levem à captura do milionário saudita, hoje considerado o inimigo número um da América, mas em tempos financiado pela CIA para combater os soviéticos no Afeganistão.


Líder de uma nebulosa organização islamita conhecida como Al-Qaeda («A base», em árabe»), Bin Laden é considerado o mentor dos dois atentados bombistas contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, em Agosto de 1998, que fizeram 224 mortos. Agora surge como o principal suspeito dos atentados múltiplos contra os Estados Unidos, com o chefe de redacção do diário árabe Al-quds a afirmar que Bin Laden advertiu há três semanas que iria levar a cabo um «ataque importante» contra os interesses americanos. Abdel-Bari Atwan, jornalista com reputação de ter acesso privilegiado a Bin Laden, não tem dúvidas de que a série de atentados foi «obra de fundamentalistas islâmicos» da Al-Qaeda.


Oriundo de uma família saudita abastada, Bin Laden nasceu em Riade, em 1957, tendo estudado Gêndas Religiosas e Gestão, aplicando os conhecimentos adquiridos em ambas para, por um lado, militar em organizações in-tegristas islâmicas e, por outro, ajudar nos negócios familiares.


Depois da invasão soviética do Afeganistão, em 1979, o jovem Bin Laden descobre, por fim, um pais onde dedicar-se à Jihad, a guerra santa. Cria então uma rede de recrutamento de voluntários árabes que querem lutar contra o Exército Vermelho. No Afeganistão, combate o invasor comunista, mas sobretudo financia os campos de treino dos candidatos a mujaedines. Os milhões de dólares da família pagam a viagem dos voluntários árabes até ao Paquistão, pais vizinho e amigo.


A retirada soviética, em 1989, deixa Bin Laden sem causa. Vazio que rapidamente consegue preencher, embora à custa da ruptura com os seus antigos padrinhos americanos e sauditas. Em 1994, é destituído da nacionalidade saudita, por ter ousado de mais nas criticas à presença de tropas americanas. Refugia-se no Sudão, onde financia o regime islamita de Hassan Al Turabi. Os governos argelino, iemenita e egípcio acusam-no de financiar actividades subversivas. Em 1996, regressa ao Afeganistão, onde a milícia talibã o acolhe.


«Os Estados Unidos sabem que os venho atacando há dez anos, pela graça de Deus», afirmava, em 1999, o líder da Al-Qaeda numa entrevista à Time, explicando que os americanos são o seu alvo preferencial. Washington apertou o cerco a Bin Laden depois dos ataques às embaixadas africanas e chegou mesmo a disparar mísseis sobre o Afeganistão para forçar o regime talibã a entregar o seu inimigo. Mas, mesmo correndo riscos de sofrer novas retaliações e já debaixo de pesadas sanções da ONU, os senhores de Cabul recusam trair Ben Laden e ainda ontem reafirmaram que o seu hóspede é inocente. «Hostilizar a América é um dever religioso, e esperamos que Deus nos recompense por isso. Ser inimigo número um ou número dois não me afecta. Confio em que a nação islâmica cumpra . o seu dever. Espero que os muçulmanos possam pôr fim à lenda da superpotência americana», disse Bin Laden, na entrevista à Time. Quanto valerá hoje a sua cabeça?

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