Sócrates abre a porta de grandes empresas à China

Entre os 13 acordos assinados pelos dois países, BCP e EDP abrem o seu capital

O Governo está a abrir as portas de algumas das maiores empresas portuguesas ao capital chinês, esperando, em troca, o apoio da segunda maior economia do mundo ao financiamento da dívida portuguesa. Ontem, no último dia da visita do Presidente chinês, Hu Jintao, a Lisboa, a EDP e o BCP assinaram acordos, que deverão levar a tomadas de posição no capital por parte das empresas chinesas.

No total foram firmados 13 protocolos institucionais e empresariais - com a presença em peso do Governo e dos presidentes da EDP, BCP, BPI e PT - com o objectivo de duplicar as trocas comerciais entre os dois países até 2015.

No caso da eléctrica portuguesa, está bem encaminhada a entrada da China Power International como accionista de referência na EDP, num valor que segundo fontes contactadas pelo DN poderá rondar os 2% (ver textos ao lado). Quanto ao Millenniumbcp, foi ontem assinado um memorando de entendimento com o maior banco chinês, o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC). Desde 2009 os dois bancos têm mantido contactos para uma tomada de posição do ICBC no banco porttuguês. E admite-se que essa posição possa atingir cerca de 10%, também para aproveitar as sinergias que o BCP tem no mercado africano, nomeadamente em Angola, o maior parceiro comercial chinês em África.

Na cerimónia de assinatura de procolos institucionais e comerciais em áreas que vão do turismo e cultura às tecnologias, o primeiro-ministro português agradeceu que o chefe de Estado chinês tenha aceite o seu convite para visitar Portugal, classificando a relação entre os dois países como "políticamente excelente". José Sócrates lembrou a ligação histórica entre os dois Estados, nomeadamente através da relação com Macau - onde destacou o desenvolvimento da cooperação ao nível da cultura e do ensino - , mas também o papel que Portugal tem assumindo "na linha da frente" do incentivo às relações entre a União Europeia e a China.

Pela parte chinesa, Hu Jintao não deixou de notar e agradecer o contributo português no aprofundamento das suas relações com a UE, reforçando os sinais de apoio à situação financeira portuguesa, já anteriormente expressadas pelas autoridades do seu país. "Estamos dispostos a apoiar com medidas concretas os esforços de Portugal para enfrentar a difícil si- tuação financeira", disse. O chefe do Estado acrescentou: "Vamos fazer tudo para que as trocas comerciais dupliquem até 2015."

Nenhum dos dois governantes se referiu à compra de dívida pública portuguesa pela China.

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