PS clarifica que Cadilhe não cometeu fraudes

A Comissão de Inquérito ao chamado caso BPN analisou ontem o relatório final de Sónia Sanfona, do PS, e as várias propostas de alteração que os partidos fizeram chegar. O papel de Constâncio na supervisão, o que fazer às considerações sobre Miguel Cadilhe acabaram por dividir os deputados, que ainda acusaram o ministro Teixeira dos Santos de se envolver no assunto

O PS mostrou-se ontem disponível a alterar a forma como se relata o papel de Miguel Cadilhe, enquanto administrador do BPN, depois de deputados das bancadas do CDS, PSD e Bloco de Esquerda expressamente considerarem que este não podia ser colocado a par de Oliveira e Costa e de Dias Loureiro uma vez que não esteve envolvido em qualquer tipo de fraude ou negócio ilícito.

À hora de fecho desta edição os trabalhos da comissão de inquérito ao caso BPN foram interrompidas para que a deputada relatora, a socialista Sónia Sanfona, pudesse avaliar em que medida poderiam ser acolhidas as propostas de alteração e as sugestões feitas ao relatório por diversos partidos.

A deputada admitiu expressamente "incluir na versão final do documento que elaborou propostas alternativas de partidos das bancadas da oposição desde que estas façam sentido", mas as expectativas de que estas possam alterar significativamente o sentido de voto dos outros partidos são poucas.

Ricardo Rodrigues, coordenador dos deputados socialistas na comissão deixou claro que no entender do PS "é sempre necessário distinguir os criminosos (gestores e accionistas do BPN) dos supervisores", acusando os deputados da oposição não o fazerem.

O deputado socialista fez questão de dizer que o relatório de Sónia Sanfona "não isenta de culpas" o Banco de Portugal. Lembra que esta assume claramente que poderia ter havido uma "uma acção mais incisiva e mais diligente do Banco de Portugal", uma crítica considerada muito tímida que faz a oposição parlamentar falar em "branqueamento da supervisão".

As bancadas da oposição apresentaram propostas alternativas de conclusão, com excepção do Bloco de Esquerda, uma vez que o deputado João Semedo optou por de forma oral fazer as suas sugestões para a última versão do relatório de Sónia Sanfona.

O PSD pela voz de Miguel Macedo apontou o dedo a vários pontos do relatório, criticando designadamente a referente à nacionalização do BPN. O deputado do PSD frisa que esta está descrita, mas que não é referido no relatório final quanto vai custar a nacionalização, apenas se adiantando o quanto iria custar o plano de Miguel Cadilhe. O deputado do PSD acrescentou que o relatório de Sónia Sanfona também nada diz sobre a relação entre o Banco de Portugal e a Procuradoria-Geral da República. Miguel Macedo lembrou que o BP nas várias inspecções "obrigou" o BPN a sucessivos aumentos de capital sem ter alguma vez questionado "de onde vinha o dinheiro" para estas operações.

Já Honório Novo, da bancada do PCP, apresentou um relatório alternativo para a comissão de inquérito ao BPN depois de considerar que houve " branqueamento completo das responsabilidades da supervisão" bem como faltarem aspectos centrais no trabalho da comissão durante seis meses.

"Não podemos deixar passar em claro alguns dos aspectos centrais dos trabalhos desta comissão, designadamente as condições em que foi efectuada a decisão da nacionalização do BPN e as conclusões de branqueamento completo das responsabilidades da supervisão", afirmou o deputado comunista.

Entre os pontos deste relatório alternativo, está a nomeação de várias "personalidades, administradores, directores e accionistas sobre os quais há uma fundamentação, documentação e depoimentos que de forma irrefutável demonstram a sua responsabilidade" nas irregularidades detectadas, disse Honório Novo.

Os comunistas acusam mesmo o PS de ter " escandalosamente omitido o facto de ter havido reputadas personalidades, com inquestionável credibilidade do ponto de vista económico e financeiro, e de administração bancária, que defenderam a necessidade ou a tese de, a haver uma nacionalização, ela incluir toda a parte financeira do grupo numa hipótese ou o grupo na sua totalidade".

Nuno Melo, do CDS - partido que também apresentou inúmeras propostas de alteração - acusou o relatório de ter avançado com um documento que " é cirúrgico na forma como, na gestão do BPN, quer atingir apenas alguns, com motivação partidária".

O deputado popular reafirmou a tentativa de " branquear uma supervisão que falhou" alertando para o facto de se tudo continuar na mesa se poder vir a ter outros casos como os do BPN e do BPP. Nuno Melo deixou claro na sua intervenção não ter esperança de conseguir alterar o tom do relatório, frisando que " a decisão está tomada".

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