Oito 'offshores' no negócio de Porto Rico

A investigação ao negócio de Porto Rico, que causou prejuízos na ordem dos 40 milhões de euros à Sociedade Lusa de Negócios, vai deparar-se com o que há de mais difícil numa investigação: 'offshores' em cima de 'offshores'. Confirmado o prejuízo para a SLN do negócio de Porto Rico, MP vai investigar se Dias Loureiro 'lucrou' com o mesmo. Carta do demissionário conselheiro de Estado a pedir para ser ouvido já chegou à Procuradoria.

É um emaranhado de offshores que os investigadores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) têm pela frente para tentar descortinar os contornos do chamado negócio de Porto Rico, o qual envolve Dias Loureiro. De acordo com dados recolhidos pelo DN junto de fonte da comissão parlamentar de inquérito ao BPN, há, pelo menos, oito offshores associadas directa ou indirectamente à compra de duas empresas naquele país, num negócio que terá causado um prejuízo de cerca de 40 milhões de euros para o grupo BPN.

A lista integra a Barwell Holdings e a Newtech Strategic Holdings, que foram referenciadas no relatório da "Operação César", um acção desenvolvida durante a administração de Miguel Cadilhe para detectar todos os offshores escondidos no BPN. A lista continua depois com a Financial Holdings LLC, a Mardell Investments, a Seaford Holdings LLC, a Ilea e a Aler e a Delas.

Ora, é com este quadro que os investigadores terão de trabalhar para apurar o rasto do dinheiro investido pela SLN no negócio que envolveu a compra de duas empresas ligadas à pesquisa e desenvolvimento de tecnologia bancária que envolvia a produção de uma máquina semelhante ao ATM e outra para digitalização de cheques.

Segundo vários testemunhos recolhidos pela comissão de inquérito, Dias Loureiro foi o principal entusiasta do negócio, apoiado por El Assir, um empresário libanês, trazido em 2001 pelo demissionário conselheiro de Estado para o universo do grupo SLN. O negócio passou pela compra da empresa Biometric na qual, curiosamente, El Assir tinha uma participação.

Relacionado com este negócio surge outro que tinha a ver com a venda da Redal, um consórcio marroquino que estava a desenvolver a exploração de águas residuais, no qual El Assir também surge. Não com interesse directo, mas sim como "consultor" do grupo BPN para agilizar o negócio em Marrocos.

E terá sido nesta dupla qualidade que El Assir fez, segundo Oliveira Costa, chantagem sobre o BPN: "Ou a compra da Biometric ia para a frente ou desligava-se do apoio que estava a dar ao grupo [SLN] para vender a Redal", contou aos deputados o ex-presidente do BPN, acrescentado que o ultimato lhe foi feito numa reunião em Cascais, na qual Dias Loureiro esteve presente.

Segundo já foi revelado no Parlamento, o negócio de Porto Rico causou um prejuízo de cerca de 40 milhões de euros. A investigação criminal em curso pretende apurar se Dias Loureiro obteve algum benefício pessoal com o negócio ao mesmo tempo que era administrador da SLN.

Entretanto, ao final da tarde de ontem, a Procuradoria-Geral da República anunciou que tinha recebido uma carta de Dias Loureiro pedindo a sua audição no inquérito ao BPN. Segundo o gabinete de imprensa da PGR, Pinto Monteiro, procurador-geral da República, vai "analisar" o conteúdo da missiva. Esta deverá ser depois reencaminhada para o DCIAP, onde estão em curso novas investigações relacionados com o BPN.

Apesar de a carta ter sido enviada para Pinto Monteiro, a decisão de ouvir, ou não, Dias Loureiro pertence a Rosário Teixeira, procurador do DCIAP que está à frente da investigação ao BPN.

Ontem, Pinto Monteiro reafirmou, em declarações aos jornalistas, que até ao momento "não se justificou" ouvir Dias Loureiro em nenhum dos processo em curso, seja como testemunha ou arguido, voltando a dizer que nunca o Ministério Público pediu ao Conselho de Estado o levantamento da imunidade a Dias Loureiro. Questionado sobre os envolvidos na investigação do processo BPN, Pinto Monteiro escudou-se no segredo de justiça para não adiantar pormenores, mas lembrou que "nunca deu instruções no âmbito de nenhum processo e que nem vai dar".

Ontem, foi noticiado que o escritório de advogados Filipe Baião Nascimento foi alvo de uma busca. O DN sabe que a diligência não está relacionada com o caso de Porto Rico, mas sim com o Banco Insular (BI), entidade que está no centro das principais investigações em curso ao BPN. Tal como o DN já adiantou, só Oliveira Costa é suspeito de ter feito, numa conta do BI, saques a descoberto na ordem dos 9 milhões de euros. O ex-presidente do BPN e o antigo administrador Luís Caprichoso são os únicos arguidos.

Últimas notícias

Mais popular