CDS quer nova comissão de inquérito ao BPN e BPP

Depois de seis meses de intenso trabalho da comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN, o consenso terminou na hora do relatório final, que apenas foi votado pelo PS. Ontem o CDS apresentou nova proposta para, logo no início da próxima legislatura, se avançar com um novo inquérito, desta vez alargado ao BPP. Uma ideia só apoiada pela bancada do PSD.

O líder do CDS, Paulo Portas, anunciou ontem a intenção de avançar, logo no início da próxima legislatura, com uma segunda comissão de inquérito ao BPN alargando-a igualmente ao que está a acontecer no BPP. Para Paulo Portas, o PS "com o rolo compressor da maioria absoluta julga que está a salvar o camarada Vítor Constâncio mas o que está a dizer é que o supervisor pode continuar a não garantir aos portugueses que casos como os do BPN não se voltam a repetir".

Uma sugestão que foi acolhida favoravelmente pelo PSD que, através de Hugo Velosa, disse que na próxima legislatura "se houver uma solução que possibilite ir mais longe no apuramento dos factos ocorridos no BPN e a nível da supervisão bancária os sociais democratas irão apoiar".

Mas o apoio a esta iniciativa termina aqui. Todas as bancadas de esquerda recusam uma nova comissão de inquérito com Ricardo Rodrigues do PS a acusar o CDS de apenas se querer vingar de Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal, por este ter feito um relatório sobre a situação do défice público português após o fim do executivo em que Bagão Félix assegurou a pasta das Finanças.

Também Honório Novo, da bancada do PCP, considerou que a proposta do CDS não era séria . "A Paulo Portas, em período pré-eleitoral só falta mergulhar no rio Tejo para conseguir ter alguma atenção mediática" adianta. O deputado comunista frisou que neste momento é uma questão que não se coloca pelo que uma nova comissão de inquérito parlamentar a ser apresentada na próxima legislatura será "nessa altura analisada tendo por base factos e propostas concretas".

João Semedo , do Bloco , adiantou que a proposta CDS era "mais do domínio da propagando que do da política".

Para o deputado do BE o que é verdadeiramente importante " é que uma nova assembleia saída das eleições legislativas possa actuar seriamente para acabar com a situação de promiscuidade entre a política e os negócios".

Os deputados vão debater hoje em plenário do Parlamento o relatório final da comissão de inquérito ao caso BPN, que terminou na madrugada de terça feira depois de Sónia Sanfona ter aceite incorporar no documento final 16 propostas de conclusões do PCP e cinco recomendações do PSD.

Apesar desta alterações apenas o PS aprovou o relatório pois o consenso terminou ao fim de seis messe de intensos trabalhos numa comissão parlamentar de inquérito que todos consideraram prestigiar o Parlamento. O PS votou, na última reunião da comissão, o relatório depois de a oposição considerar que mesmo com alterações este continuava " a branquear a questão da supervisão por parte do Banco de Portugal" e a não explicar com rigor os fundamentos da nacionalização.

A deputada socialista Sónia Sanfona explicou aos deputados que incluiu apenas 16 das propostas que o PCP entregou e cinco propostas, apenas de alteração legislativa, do PSD, ficando de fora as que foram entregues pelos restantes bancadas.

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