BPN: Oliveira e Costa aprovou todos os créditos do Banco Insular - António Franco

O ex-director de operações do BPN garantiu hoje à agência Lusa que Oliveira e Costa aprovou e instruiu todos os créditos do Banco Insular e que nunca coagiu o antigo presidente da SLN a assinar qualquer documento.

"Todos os créditos do Banco Insular eram aprovados e instruídos pelo Dr. Oliveira e Costa, com excepção de talvez uma dezena que foram aprovados e instruídos pela própria administração do Banco Insular", disse António Franco à agência Lusa.

"Quando se olha para a lista de devedores do Banco Insular, onde figuravam entre outros devedores empresas que na altura pertenciam ao universo SLN-Sociedade Lusa de Negócios, rapidamente se depreende que esta afirmação é verdade", acrescentou.

 António Franco desmentiu assim as afirmações de Oliveira e Costa, o antigo presidente do BPN e da SLN, que afirmou nunca ter feito qualquer movimento relativo ao banco Insular, tema em que aliás não se alongou invocando o segredo de justiça.

Oliveira Costa afirmou também na terça-feira na comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN que António Franco, Emanuel Peixoto, Ricardo Pinheiro e António José Duarte o coagiram a assinar um documento escrito que o responsabilizava pelas operações irregulares que foram cometidas no banco.  

"Assinei essa declaração sob coacção. Ou assinas ou levas um tiro, disseram-me. Não foi bem assim, mas foi como se tivesse sido", relatou.

António Franco negou hoje à Lusa as declarações de Oliveira e Costa, afirmando: "Não tenho nenhuma arma nem nunca coagi o Dr. Oliveira e Costa nem ninguém a assinar qualquer papel".

"O que aconteceu foi ter exigido em papel o que sempre foi prometido pelo Dr. Oliveira e Costa, que sempre afirmou que assumiria total responsabilidade de tudo o que fosse relativo ao Banco Insular, o que aliás não se verificou na sua intervenção na Comissão" parlamentar de inquérito, disse ainda o antigo director de operações da SLN, que detinha o Banco Português de Negócios (BPN) até à sua nacionalização em Novembro de 2008.

António Franco afirmou ainda que, apesar de Oliveira e Costa ter afirmado na comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN que "nem sequer tinha 'password' no computador" do banco, tal afirmação não pode servir para o ex-banqueiro enjeitar responsabilidades, até porque é prática comum no sector separar as operações e a gestão do banco.

"O facto do Dr. Oliveira e Costa não registar operações não deve servir como desculpa de coisa alguma pois tenho a certeza que nenhum presidente ou vogal de qualquer conselho de administração de qualquer banco em Portugal tem a possibilidade de registar operações", disse Franco à agência Lusa.

"Em termos de boa prática bancária assim deve ser pois quem tem o poder de decisão não deve poder registar operações," concluiu António Franco.

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