O ataque ao crime associado às claques

Infelizmente, o fenómeno da violência e da criminalidade associado às claques de futebol tem-se espalhado nos últimos anos, em Portugal e no estrangeiro.

Os casos são tantos - a vasta operação policial que ontem acabou com a detenção de 29 elementos dos No Name Boys, aos quais são feitas acusações graves que incluem tráfico de droga e de armas, é apenas o último exemplo - que a palavra claque é hoje imediatamente relacionada com crime organizado.

Existem mesmo suspeitas de ligações a movimentos de extrema-direita e houve já situações de bandeiras com a suástica exibidas em estádios repletos de gente. Por cá, os casos têm-se sucedido: os líderes de claques do FC Porto e do Sporting já foram investigados por vários crimes e sempre subsistiram suspeitas sobre os grupos organizados de adeptos, sobretudo ligados aos chamados clubes grandes, claramente os mais apetecíveis para aqueles que querem usar a fachada de adeptos para camuflarem comportamentos entre o socialmente agressivo e o criminoso.

Estes suspeitos não põem em causa os clubes que apoiam - o Benfica, no caso dos No Name Boys -, nem a grande maioria dos adeptos que vão aos estádios para ver os jogos e torcer pela vitória do seu clube. Aliás, devem merecer o vivo repúdio de todos. Por isso é de apoiar todos os esforços policiais e da justiça para acabar com a violência associada ao futebol. E nisso não pode haver clubismos. Apenas sentido de cidadania.

O Governo do Iraque aprovou ontem, por esmagadora maioria (27, dos 28 membros do Conselho do Governo presentes, com dez ausências justificadas), o acordo de segurança com os Estados Unidos da América (EUA), que prevê a retirada total das tropas norte-americanas até 2011. Como objectivo intermédio na transferência de responsabilidades para as forças de segurança iraquianas, as tropas dos EUA sairão do país até fim de Junho de 2009.

Saudado como um calendário exigente e realista, até ao momento só mereceu o repúdio do radical xiita Moqtada Sadr. Mas a saída ordenada de 150 mil soldados dos EUA no espaço de dois anos depara-se com desafios bem mais exigentes do que a oposição dos milicianos, que ele comanda. No Iraque há meses que as três etnias/confissões do país (curdos, árabes sunitas e árabes xiitas) discutem a partilha dos recursos naturais do país (sobretudo o petróleo e o gás natural), abundantes no Norte e do Sul, onde se concentram, respectivamente, as populações curdas e xiitas. A minoria sunita sempre recorreu à ditadura implacável para os poder controlar, subjugando os seus rivais, mas hoje encontra-se fora das principias alavancas do poder económico e político. Sem esse acordo de partilha, não haverá futuro, nem paz civil no Iraque, nem muito menos um qualquer regime não despótico e representativo da totalidade do povo iraquiano.

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