Vírus H1N1 substituirá a gripe sazonal

Epidemiologistas dizem que este novo vírus é muito mais agressivo do que os que surgem nas normais épocas gripais. Por isso, é natural que provoquem a "extinção" das estirpes que costumam circular, como A ou  B.

O H1N1 vai passar a ser o tipo de vírus associado à gripe sazonal, substituindo aqueles que habitualmente marcam a época da gripe. A previsão é de Gabriela Gomes, investigadora em epidemiologia teórica do Instituto Gul- benkian da Ciência.

"Este vírus da gripe A é novo. Quando se dá um caso de um tipo de vírus que afecta o animal passar a afectar o ser humano, geralmente tem vantagem competitiva sobre os outros vírus sazonais", explica a investigadora. É por isso que acredita que "este novo vírus vai a causar as próximas ondas de gripe sazonais e levar à extinção dos habituais vírus que estão em circulação".

As épocas de gripe sazonais são geralmente marcadas pela maior incidência de uma determinada estirpe de vírus, sendo que os tipos A e B são os mais comuns. Este ano, por exemplo, houve um maior número de casos no Inverno porque o vírus de tipo A, que é mais agressivo, foi o que marcou a época gripal. Findo este período, foram contabilizadas cerca de 1500 mortes no País.

Gabriela Gomes diz "é normal que este vírus, H1N1, seja o que vai circular quando o ambiente se tornar propício, ou seja, quando arrefecer". Estas são previsões com base em modelos matemáticos e, por isso, são as esperadas.

Ontem, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que é previsível que haja pelo menos três vagas distintas de gripe no mundo, porque o vírus H1N1 ainda pode sofrer mutações e tornar-se mais virulento. O impacto nos países é que pode ser distinto, em parte, devido às condições de higiene e sanitárias que possuem.

De acordo com o El Mundo, a OMS refere que o vírus pode apenas provocar sintomas ligeiros em países com um forte sistema sanitário, mas ser devastador noutros países em que faltem condições de higiene, medicamentos e hospitais bem equipados. Nas próximas vagas, o H1N1 pode tornar-se mais agressivo e a população, nesta primeira vaga, não está imunizada contra o vírus, que é mais contagioso que o habitual.

É por isso que Gabriela Gomes defende que não se deve utilizar mais meios do que é habitual para evitar a propagação da doença pessoa a pessoa. "Numa segunda vaga, as pessoas já contactaram com o H1N1 e já estarão mais protegidas caso haja um tipo de vírus mais virulento e agressivo".

A OMS teme o surgimento de resistências do vírus da gripe A aos medicamentos. "Somos confrontados com o risco de resistência", disse Nikki Shindo, perito em pandemias. A resistência pode desenvolver-se com a sua passagem pelo Hemisfério Sul, onde o Inverno está a começar agora.

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