Donos de cães perigosos serão todos despejados

Família com três 'pitbulls' do Bairro Pinheiro Torres foi posta na rua

A Câmara do Porto mostra-se irredutível e quer banir os cães de raças consideradas perigosas dos bairros municipais. Esta semana despejou uma família que não quis desfazer-se dos três pitbulls que tinha em casa, mas as acções não vão ficar por aqui e nas próximas semanas outros casos vão ter um solução idêntica uma vez que há vários processos em curso.

A acção de despejo aconteceu no Bairro Alexandre Pinheiro Torres. Existiam várias queixas de vizinhos e a família em causa já havia sido notificada. Uma inspecção realizada na passada semana encontrou os três cães no domicílio e ainda 100 pacotes de estupefaciente, escondidos dentro de um sofá (tipo puf) e que foram entregues às autoridades policiais. Para além dos animais considerados perigosos, o facto de ter sido encontrada droga era motivo considerado suficiente para o despejo.

Aliás, a autarquia é da opinião de que uma coisa está interligada com a outra. "O que se passa nos bairros é que as pessoas têm os cães como um instrumento para se defenderem das actividades ilícitas em que estão envolvidas", afirmou ao DN Matilde Alves, vereadora da Habitação do Porto.

Para esta responsável nem o despacho que na próxima semana será assinado pelo Governo no sentido de se proibir a importação, reprodução e criação de cães de sete raças consideradas perigosas vai resolver o problema. "Não é possível colocar um fiscal à porta de cada família referenciada. A situação que muitas vezes encontramos é a de que na altura da inspecção não há cães mas dois meses depois eles voltam", acrescenta a autarca.

Desde a aprovação da portaria há cerca de um ano, a câmara detectou 157 situações originadas por queixas dos moradores. "Em metade destes casos as pessoas foram notificadas e muitas delas entregaram voluntariamente os cães ao canil ou encaminharam-nos para outros locais", refere Matilde Alves. O que se veio a apurar é que nas 107 notificações que deram origem a inspecções nem todos os cães apontados eram considerados perigosos. Para a vereadora, este trabalho vai prosseguir "com insistência, mas também com pedagogia junto dos donos". É dado sempre um prazo para que as famílias se possam desfazer dos animais.

O objectivo é garantir "a segurança das pessoas" e impedir que cães destas raças andem a circular pelos bairros. Os processos litigiosos entre a autarquia e os seus inquilinos não cumpridores "não chegam a uma centena", mas muitos deles estão em curso e acções de despejo poderão ocorrer já na próxima semana.

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