Desmanteladas fábricas de produção de armas

A Polícia Judiciária (PJ) deu por terminada a investigação que culminou com o desmantelamento de uma rede criminosa com capacidade de produzir, transformar e reparar armas.

Algum deste material ilegal, apresentado ontem à comunicação social, era, depois, vendido, quer nos bairros periféricos de Lisboa quer fora de Portugal, nomeadamente na Holanda, através dos grupos ligados ao tráfico de droga. Outro era alugado para assaltos à mão armada, sobretudo no nosso país, incluindo para casos de carjacking. Foram identificadas 67 pessoas e detidas 22, estando estas submetidas às mais diversas medidas de coacção. Não há presos preventivos.

No total, foram apre- endidas 65 armas de fogo e 75 réplicas bem como grande quantidade de munições, de calibre proibido, 25 miras telescópicas, silenciadores e cordão detonante. A investigação identificou duas oficinas especializadas neste tipo de actividade.

Estas duas fábricas, explicou o coordenador de investigação criminal Pedro Felício, funcionavam como plataforma de comércio organizado. Tinham os seus próprios vendedores que colocavam as armas na posse de outros vendedores nos bairros periféricos de Lisboa - na Quinta da Fonte, Loures, onde nos dias 17 e 18 ocorreram dois tiroteios, e noutros, nomeadamente na Cova da Moura e Estrela d'África, na Amadora. Estes vendedores locais, por sua vez, serviam também de intermediários junto das oficinas, solicitando o fabrico ou a transformação de armas. "Era uma rede muito intrincada e complexa", frisou o coordenador.

Esta investigação deu por terminada a acção dos chamados armeiros do submundo que tanto vendiam como alugavam material que os próprios transformavam e fabricavam. Algum do material ontem exposto no Departamento Central de Combate ao Banditismo (DCCB) era totalmente manufacturado naquelas oficinas. As armas ficavam aptas a acoplar silenciadores e miras telescópicas e balas de calibre 22. Destaca-se, entre todo o arsenal visto, uma pequena caneta que disparada a curta distância era capaz de liquidar uma pessoa. Através de grupos ligados ao tráfico de droga, o material era também traficado para outros países, sobretudo para a Holanda.

Entre as 67 pessoas identificadas, algumas estavam ligadas à actividade da segurança nocturna e outras à metalomecânica ou ao comércio legal de armamento. De acordo com Pedro Felício, o culminar desta investigação envolveu mais de 80 buscas domiciliárias, ao longo de quase ano e meio, em 50 ou 60 locais diferentes, entre os quais a Quinta da Fonte. Uma das oficinas encontra-se a pouco mais de um quilómetro de um dos bairros periféricos de Lisboa considerados problemáticos. A outra oficina encontra-se num outro contexto geográfico.

Nenhuma das buscas esteve relacionada com os crimes da noite do Porto, mas muitas das armas apreendidas estão ligadas a assaltos à mão armada, incluindo casos de carjacking. Aguarda-se, agora, o resultado dos exames periciais que possa identificar os autores dos crimes.

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