Rui Moreira com esperança de que rotas do Porto sejam repostas

Quem é que manda na TAP? Humberto Pedrosa, como impõem as regras europeias, ou David Neeleman, como desconfia a ANAC?

Autarca do Porto só falará sobre a decisão da ANAC na terça-feira, durante a reunião pública de câmara. Regulador, que ainda não decidiu sobre venda da TAP, impôs limitações à gestão dos novos donos da transportadora

"Afinal, a definição da operação e rotas da TAP e Portugália não era um mero ato de gestão corrente..." Foi desta forma que Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, reagiu à decisão da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) de pôr travão às decisões tomadas pelos novos donos privados da TAP.

Através de uma mensagem na sua conta oficial do Twitter - rede social na qual o autarca tem vindo a publicar as suas opiniões sobre a atual gestão da TAP -, Rui Moreira remete para um outro texto, este no portal de notícias do Porto. Ali, defende-se que a ANAC vem confirmar o que tem sido a esperança de Moreira: "A criação e supressão de rotas não fazem parte da mera gestão corrente da TAP e Portugália" e o regulador chama a si a responsabilidade última da sua autorização.

Ou seja, tal como o DN/Dinheiro Vivo noticiou ontem, o corte das nove rotas da TAP previsto para 27 de março poderá já não avançar. Destas, quatro saem do aeroporto Sá Carneiro e, desde o anúncio da sua supressão, abriram uma guerra fria entre o Porto e a TAP. Rui Moreira tem sido o principal crítico, mas muitas têm sido as vozes do Norte a juntar-se à do autarca para acusar a transportadora de querer prejudicar o desenvolvimento económico da cidade, desviando turistas para a capital.

Apesar de continuar ativo nas redes sociais, contactado pelo DN/Dinheiro Vivo Rui Moreira não se mostrou disponível para falar sobre este assunto, remetendo quaisquer comentários sobre a decisão da ANAC para a reunião pública de câmara, na terça-feira, solicitada pelo PSD.

O alcance da decisão

Mas poderá ou não o Porto recuperar as quatro rotas que iriam desaparecer no final de março? "Ainda não se percebe bem o alcance da decisão da ANAC", diz fonte próxima do autarca do Porto, lembrando que o regulador impede a administração da TAP e da Portugália de tomar "decisões de gestão extraordinária ou que tenham um impacto materialmente significativo no património, na atividade e na operação dessas companhias".

A TAP, agora detida em 50% pelo Estado, anunciou uma ponte aérea entre Lisboa e Porto a partir de março e a suspensão de voos saídos do aeroporto do Porto, nomeadamente para Roma, Milão (Itália), Bruxelas (Bélgica) e Barcelona (Espanha). E é aqui que o Porto volta a torcer o nariz. Independentemente do cancelamento dos voos, "o curioso é a implementação da ponte aérea, para a qual foi preciso reservar slots (alocação de horários de chegadas e partidas de aeronaves) com antecedência - mesmo que tivesse de reverter, a sua suspensão seria difícil".

"Estamos expectantes para saber como a TAP irá resolver o problema, que é fulcral", diz a mesma fonte.

De acordo com a Câmara do Porto, em 2015 a taxa média de ocupação nos voos diretos do Porto para Bruxelas foi de 90%, para Milão foi de 88% e 95% nas ligações da manhã e da tarde, respetivamente. Já para Roma atingiu os 89% e a operação com Barcelona registou 91% e 88%, nos voos da manhã e da tarde.

O DN avançou ontem saber que a decisão não tem efeitos retroativos, o que faz que os aviões encomendados pelos novos donos da companhia aérea à Airbus são matéria encerrada. Mas a ANAC terá uma palavra a dizer sobre as decisões previstas para março e ainda não executadas.

Tudo isto surge porque a ANAC tem dúvidas sobre quem manda efetivamente na TAP: se Humberto Pedrosa, como ditam as regras europeias, se David Neeleman, como desconfia. A TAP reagiu à decisão do regulador dizendo estar "a analisar as respetivas implicações" e lembrando que continua focada em servir os seus clientes com os padrões de qualidade e serviço que a caracterizam.

Já o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, defendeu que a TAP vai viver mantendo a sua gestão normal. Alterações estruturais já não seriam substanciais nesta fase, explicou, "uma vez que já estava definido que ia haver uma nova estrutura de capital e uma nova administração a controlar aquilo que é estratégico na TAP".

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