Governo dá 4,2 milhões para digitalizar PME

Ana Lehmann, secretária de Estado da Indústria

No total, o Vale Indústria 4.0 vai atribuir 12 milhões de euros a 1500 empresas em quatro anos

A partir desta semana e até 29 de setembro, as pequenas e médias empresas portuguesas vão poder submeter as suas candidaturas ao primeiro concurso no âmbito do programa Vale Indústria 4.0, que vai distribuir 4,2 milhões de euros em vales, cada um com um valor máximo de 7500 euros, para projetos com foco na digitalização. A confirmação foi dada pela nova secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, que herdou do seu antecessor João Vasconcelos a execução do ambicioso programa-bandeira do governo Indústria 4.0: um investimento de 2000 milhões de euros, para um retorno de 4,5 mil milhões nos próximos quatro anos, e um conjunto de 60 medidas que deverão ter impacto em mais de 50 mil empresas.

"Será publicado ainda esta semana o aviso para a abertura do concurso. Este é o primeiro a ser lançado, mas o objetivo é que existam mais no futuro", confirmou Ana Lehmann em declarações exclusivas ao DN/Dinheiro Vivo, as primeiras desde que assumiu o cargo em substituição de Vasconcelos, que apresentou demissão na sequência do escândalo das viagens da Galp ao Euro 2016. No total, o Vale Indústria 4.0 prevê a atribuição, nos próximos quatro anos, de 12 milhões de euros de apoios (em quatro tranches, sendo esta a primeira) a cerca de 1500 empresas.

Podem candidatar-se as PME de todos os setores que cumpram vários critérios (pelo menos três postos de trabalho, sem outras candidaturas aprovadas ou em fase de decisão na tipologia de investimento "qualificação das PME", entre outros). O apoio, com duração de um ano, é dirigido a empresas que queiram "implementar sistemas de comércio eletrónico, melhorar a sua posição nos motores de busca e a experiência do utilizador no site ou apostar em marketing", explicou. "Destina-se também a empresas que queiram avançar com processos associados à Indústria 4.0, nomeadamente a realidade aumentada, big data ou sistemas de inteligência artificial, e ainda para a contratação de serviços, como a assistência técnica", clarificou Ana Lehmann. "Na internacionalização, a aposta no digital e em sites bem estruturados permitirá a estas empresas criarem montras para os clientes internacionais, permitindo gerar mais negócio e maior exposição e penetração em mercados externos, de forma acessível e eficaz." O objetivo? Empresas mais eficientes e competitivas.

No início do ano foi já realizado um concurso para acreditar 381 entidades que vão prestar serviços às empresas que se qualificarem no âmbito deste concurso, como por exemplo as universidades de Aveiro e da Beira Interior, o Instituto Pedro Nunes, entre outras empresas tecnológicas. Os incentivos são calculados através da aplicação às despesas consideradas elegíveis a uma taxa de 75% (40% para os projetos na região de Lisboa). Apesar de não ser a 100%, o financiamento é a fundo perdido. "Será uma medida muito relevante ao serviço da modernização e da competitividade da indústria, que ajudará muitas empresas a dar os primeiros passos no caminho da digitalização", garante Ana Lehmann.

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