Galp deixa aumento para os clientes

Carlos Gomes da Silva apresentou ontem os resultados da empresa e criticou a decisão do governo de aumentar o imposto sobre os combustíveis

Petrolífera lucrou 639 milhões, um salto de 71,5%, e vai passar para o cliente subida de 7,5 cêntimos por litro de combustível

"Espero que quem fez as contas esteja confortável com os benefícios que vai retirar da decisão que tomou", comentou ontem o presidente da Galp, para concluir: "Mas o país como um todo vai ficar a perder." Em causa o aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos em seis cêntimos - que será de 7,5 cêntimos por litro à conta do IVA -, uma subida que Carlos Gomes da Silva pouco antes já tinha apontado que acabará por ser paga pelo cliente. Isto pelo menos no caso da empresa a que preside.

"É um imposto e como em qualquer imposto será repercutido nos produtos que transacionamos", apontou o gestor sobre o aumento do ISP que entrará em vigor com a aprovação do Orçamento do Estado para 2016. Na conferência de imprensa dos resultados anuais da Galp, Gomes da Silva lembrou que o consumo dos combustíveis tenderá a contrair com a subida do imposto, ainda que este efeito possa ser mitigado pela desvalorização que o petróleo tem vindo a sofrer. "As duas situações conjugadas levará a uma mitigação da quebra do consumo, mas se o petróleo voltar às subidas então a contração será mais visível", apontou. Esta contração virá tanto de uma adaptação de hábitos como por causa dos consumidores que passarão a comprar combustível para Espanha, aproveitando o diferencial nos impostos do lado de lá da fronteira. E a petrolífera vai mesmo apostar nisso para reforçar a oferta aos seus clientes.

"Iremos abastecê-los em Espanha", admitiu Gomes da Silva. "É isso que teremos de fazer com os nossos clientes. Se não os podemos abastecer em Portugal, serão abastecidos em Espanha", disse, aproveitando para lembrar "a beleza" de estar numa empresa que olha e procura estar na Península Ibérica como seu mercado natural: "A beleza de podermos estar com uma presença ibérica é que tanto os podemos abastecer em Portugal como em Espanha."

Lucro sobe, barril desce

A queda e a persistência do preço do petróleo a valores bastante reduzidos face aos anos mais recentes não é motivo de preocupação exagerada para a Galp. O presidente da empresa mostrou-se aliás confiante na capacidade da petrolífera em lidar com a situação. "Não são circunstâncias geopolíticas que nos irão fazer recuar", apontou Carlos Gomes da Silva.

O gestor detalhou que os investimentos da empresa são bastante competitivos, apresentando um vasto potencial em termos de rentabilidade e elogiando o grau de eficiência dos mesmos. Como exemplo apontou que em 2015 a empresa conseguiu reduzir o tempo médio de perfuração de 135 dias para 110 dias, isto quando, detalhou, "cada dia de perfuração representa um milhão de dólares em despesa". O gestor mostrou-se convicto de que os projetos de exploração e produção que a Galp desenvolve atualmente estão entre os mais rentáveis da indústria.

Os resultados de 2015 da petrolífera poderão servir de sinal da robustez da empresa para enfrentar este período de petróleo barato. A Galp lucrou mais 71,5% em 2015 face ao ano anterior, fechando o exercício com 639 milhões de euros de resultado líquido. A empresa conseguiu um aumento de 37% nas exportações em volume, subida que em valor não teve expressividade dada a quebra dos preços registada em 2015. Contudo, considera a petrolífera, a subida mostra a forte capacidade produtiva já conseguida: a Galp está a produzir mais de 50 mil barris por dia e conta superar os 60 mil em 2016.

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