Clientes mais jovens dão primeiro lugar à Mercedes no setor de luxo

Decisão para instalar centro europeu era entre Sintra e Maastricht, na Holanda

Marca alemã vai instalar em Sintra centro de serviços partilhados europeu. Projeto arranca em meados de 2016

A Mercedes voltou à liderança do segmento premium em 2015 no mercado automóvel em Portugal, após ultrapassar a rival BMW, o que já não acontecia desde 2004. A marca de Estugarda recorda que, apesar de se manter como uma fabricante de luxo, está alargar a sua gama e a chegar a clientes de faixas etárias mais jovens.

"Ainda há poucos anos só as pessoas com 50 ou mais anos compravam os nossos carros. Desde 2011 que as coisas mudaram e, graças a isso, a média de idade dos nossos clientes baixou em cerca de 15 anos, para os 35", adianta André Silveira, da comunicação da marca ao DN/Dinheiro Vivo. A Mercedes, desde essa altura, "tem feito um esforço na abertura da marca para conseguir captar mais clientes", diz o responsável pela comunicação da Mercedes em Portugal.

Mais de seis em cada dez Mercedes vendidos no mercado nacional são os modelos mais compactos, algo inesperado há pouco tempo. "Só o classe A vendeu quatro mil unidades em 2015." O modelo de entrada da marca foi responsável por cerca de um terço dos 13 525 carros que saíram dos concessionários. Mas houve ainda outros modelos de sucesso, como os derivados CLA e CLA Shooting Brake, ambos em formato coupé, além do SUV GLA. O Classe B, que está um nível acima do A, também deu o seu contributo.

A aposta neste tipo de automóveis permitiu, na perspetiva da marca, aumentar as vendas no rent-a-car e das frotas das empresas, que equivalem "atualmente a metade dos resultados. Os particulares têm os restantes 50%".

Com tantos compactos, estará a "estrela" a perder a reputação de marca de luxo conseguida nas últimas décadas? O responsável garante que "a Mercedes é uma marca de luxo e continua a vender os carros superiores, as berlinas como a Classe E e S. Mas somos a mais polivalente do setor automóvel", responde André Silveira.

Para dar uma mostra de luxo, na segunda-feira há a apresentação da nova geração do Classe E no Salão de Detroit, nos EUA. Uma das nove novidades para 2016 em Portugal: três da Smart (insígnia dos citadinos do grupo Daimler) e seis da Mercedes, como a versão descapotável dos Classe C e S.

Os 13 525 carros vendidos em 2015 já colocam Portugal no radar da empresa sediada na Alemanha. "Já é um mercado europeu importante para a Daimler" e representa cerca de 1% dos 1,87 milhões de automóveis comercializados a nível mundial em 2015. Neste ano a marca quer "manter e, se puder, reforçar o número de vendas" em Portugal, num mercado que deverá crescer para os "180/185 mil carros ligeiros", um aumento de até 3,6%.

Novo centro em Portugal

No final do primeiro trimestre deste ano, entre março e abril, a Mercedes vai recrutar entre 25 e 30 técnicos de diagnóstico para o centro de serviços partilhado europeu instalado na zona da Abrunheira, em Sintra. "Este espaço vai arrancar em julho e vai ajudar todo o mercado europeu com tudo o que forem questões técnicas que precisarem de um parecer técnico", explica André Silveira.

A partir deste centro vão sair as orientações, por exemplo, para os serviços de atendimento ao cliente no Velho Continente. Portugal venceu o duelo com a cidade de Maastricht, na Holanda. Uma conquista que poderá "abrir a possibilidade de haver mais centros deste género por cá", até porque o país, "além de ter uma cultura muito aberta e pessoas muito bem qualificadas, que falam várias línguas, é muito mais competitivo em termos de custos do que, por exemplo, Espanha e Alemanha".

Este é mais um dos desafios da Mercedes para 2016. "Vai continuar a ser uma grande batalha" para ficar à frente do segmento premium.

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