Chineses põem turismo a crescer ao ritmo da era de ouro

Setor cresce há sete anos consecutivos com a ajuda dos chineses, 135,1 milhões de viajantes em 2016. Foi mais um recorde

Nos últimos anos, elementos da polícia chinesa têm vindo à Europa para ajudar a reforçar a segurança de cidades como Paris, Roma ou Milão. Chegam nos meses de maior calor, e procura, e ajudam a evitar assaltos, roubos ou mesmo a encaminhar os turistas chineses que visitam aquelas cidades. Este exercício começou em 2014 na capital francesa e tem vindo a aumentar à medida que mais chineses viajam para a Europa. Não é à toa: a China já é o maior emissor de turistas do mundo e, no ano passado, foi responsável por 135,1 milhões de viajantes. Foi, por isso, o país que mais contribuiu para que em 2016 o setor quebrasse um novo recorde histórico. Os turistas chineses são também os que mais gastam quando vão para fora e, só no ano passado, deixaram 246 mil milhões de euros nas suas viagens.

Portugal está a trabalhar para conseguir uma fatia maior deste bolo. Os turistas chineses em território nacional têm vindo a aumentar nos últimos anos, mas a margem de crescimento é ainda grande (ver texto na página ao lado).

O turismo mundial movimentou, em 2016, 1235 milhões de pessoas, e já cresce há sete anos consecutivos. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), este crescimento contínuo apenas iguala a série registada (e até aqui nunca superada) na década de 60 - quando as operações aéreas se tornaram mais regulares e começaram a surgir os primeiros pacotes de férias no estrangeiro. É uma espécie de década dourada para o setor, que começou a ser encarado como atividade económica.

Agora, as razões são outras: são os turistas asiáticos, especialmente os chineses, que dão novo gás à indústria. Seguem-se os turistas norte--americanos e, na Europa, Reino Unido e Itália destacam-se entre os que mais pessoas enviam para fora. Nas chegadas, o Velho Continente continua a ser rei: no ano passado recebeu o dobro dos turistas da Ásia-Pacífico e três vezes mais pessoas do que a América do Norte e do Sul juntas.

"Em 2016, houve mais 300 milhões de pessoas a viajar para destinos internacionais do que no recorde estabelecido antes da crise, em 2008", mostra a OMT.

Taleb Rifai, secretário-geral desta organização que pertence à ONU, lembra que apesar dos desafios políticos, económicos, e, mais recentemente, de segurança, o turismo está a mostrar uma forte resiliência nos últimos anos. "As pessoas continuam com uma forte vontade para viajar e isto está a beneficiar muitos países do mundo", conta Rifai, lembrando que as receitas também estão a crescer "de forma consistente com o aumento de 4% do número de turistas".

Os dados ainda são preliminares, mas a Organização Mundial do Turismo estima que esta indústria tenha gerado receitas à volta dos 1,2 biliões de euros em 2016. Juntos, os dez países com maiores despesas no estrangeiro foram responsáveis por mais de metade - 657,5 mil milhões de euros. Mais de um terço deste valor foi investido só pelos turistas vindos da China, que já lideram a tabela dos gastos em viagens desde 2012.

Os chineses compram bens de luxo e investem em estadas mais longas, que abrangem várias regiões. A economia está a andar mais devagar, mas mesmo assim deverá crescer 6,5% em 2017. Os países que mais estão a beneficiar das viagens dos chineses são o Japão, a Tailândia e a Coreia do Sul mas, tradicionalmente, é à Europa que vêm para comprar bens de luxo - ficam com 30% dos produtos de luxo em todo o mundo, apenas um quinto na China e o resto oriundo da Europa.

Também nos Estados Unidos, o dólar forte está a ajudar a financiar as férias dos norte-americanos. Pelo terceiro ano consecutivo, os EUA voltaram a aumentar os seus gastos no estrangeiro - para 114,5 mil milhões de euros, mais 5% -, um crescimento consistente com a aceleração do número de saídas.

Mas nem todas as economias têm ajudado: a moeda frágil e a desaceleração dos produtos internos brutos levaram os russos e os brasileiros a apertar o cinto em 2016.

No Reino Unido, apesar do brexit, houve mais cinco milhões de pessoas a viajar, para 70 milhões de viagens realizadas. Quanto a gastos, os britânicos aguentaram o custo da libra mais fraca e gastaram 60 milhões de euros.

Os vários organismos são unânimes: os chineses vão manter a liderança do turismo mundial, pelo menos até 2026 (Conselho Mundial de Turismo). Mas pode ser bem mais: é que, neste momento, apenas 5% dos chineses têm um passaporte.

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