Sérgio Conceição, o treinador "sem medo" que conquistou Nantes

Treinador português devolveu confiança à equipa e já soma dez vitórias em 20 dos jogos - regista ainda cinco empates e cinco derrotas

A contratação de Sérgio Conceição pelo Nantes em dezembro apanhou de surpresa a grande maioria dos adeptos do clube. Um dos históricos do futebol gaulês (oito vezes campeão, a última na época 2000/01) passava por uma grave crise de resultados e todos pensavam que a aposta do polaco Waldemar Kita, dono do clube, passaria por um técnico mais familiarizado com aquele campeonato. Puro engano. O português chegou, viu e... venceu.

"Na primeira conversa que tive com o Sérgio senti que ele não tinha medo de ninguém." Foi desta forma que o proprietário do Nantes explicou a sua aposta. Os resultados estão à vista. Nestes quatro primeiro meses, Conceição levou a equipa do 18.º lugar [zona de descida] ao 8.º lugar que ocupa atualmente - regista 10 vitórias, cinco empates e cinco derrotas em jogos oficias de todas as competições.

Quem acompanha o dia-a-dia do clube da sexta cidade mais populosa de França garante que o técnico português é tudo aquilo que prometeu desde o primeiro dia. Daí ter "agarrado a equipa e os adeptos". "Não tem medo de dizer o que pensa, seja da equipa, do campeonato, dos árbitros ou da imprensa em geral. E tudo isso fez que tivesse ganho o respeito de todos e daí também ter agarrado a equipa e os adeptos", disse ao DN François Gallo, jornalista do Ouest-france, confessando que também ele ficou surpreso com a sua contratação.

"Ninguém esperava. Falava-se de muitos nomes, mas sobretudo de treinadores que tinham trabalhado em França. O Nantes atravessava um mau momento e o risco de apostar num outsider era grande. Mas acabou por correr bem", disse o jornalista, garantindo que Sérgio Conceição já convenceu o superexigente dono do Nantes. "Desde que chegou ao clube, em 2007, já passaram pelo Nantes 13 treinadores, muitos sem aguentarem sequer mais do que meia temporada. Alguns conseguiram bons resultados, como René Girard [o anterior treinador], mas Kita nunca parece satisfeito, pede sempre mais, quer a equipa a jogar melhor, mesmo que ganhem. Com Sérgio Conceição tem sido o contrário, gosta da forma de jogar e, claro, os resultados também ajudam. Mais agradado ficou quando Conceição recusou ir para o Leicester", assinalou o jornalista.
UEFA está agora na mira

Quando chegou a Nantes, o clube estava no 18.º lugar em posição de descida e muitos não acreditavam que o atual plantel conseguisse manter-se. Menos de quatro meses depois, o clube está numa posição confortável e até luta por uma vaga na Liga Europa - está a sete pontos dos lugares que dão acesso à prova europeia.
Yann Maris, jornalista do Le Parisien, segue diariamente o Nantes e acredita numa ideia que há quatro meses era praticamente uma miragem. "A mentalidade mudou. Os jogadores agora querem vencer do primeiro ao último minuto. Mesmo quando jogaram recentemente com o PSG e estavam a perder por 3-0 sentia-se isso e via-se o Sérgio a incentivá-los. Ele ganhou o balneário com essa sua liderança e motiva diariamente os jogadores. É complicado chegarem à Europa, até porque o calendário não será fácil, mas se o conseguirem não será agora surpresa nenhuma", referiu.

O jornalista deu mais um exemplo de como o português ganhou o respeito do grupo. "Quando as coisas num clube não estão a correr bem, troca-se de treinador e esse quando chega pede algumas contratações. E foi o que aconteceu. No entanto, o Sérgio não foi daqueles que só apostou nas suas escolhas [o português Sérgio Oliveira, do FC Porto foi um dos que chegou em janeiro]. Deu oportunidade a todos, os que chegaram e os que já cá estavam, e a verdade é que a base da equipa é dos jogadores que estavam no plantel desde o início da temporada", salientou.

Uma das medidas que Sérgio Conceição impôs quando chegou a Nantes (convém lembrar que somou logo de início quatro vitórias consecutivas) foi mudar o dia-a-dia dos jogadores. Uma das suas tomadas de posição que mais estranheza causou foi o pedido que fez aos jogadores para chegarem uma hora mais cedo aos treinos. "Disse no primeiro dia que queria que os jogadores tomassem o pequeno-almoço juntos. Quis uni-los. Não sei se isso foi fundamental no crescimento desportivo, mas a verdade é que os resultados apareceram e hoje já ninguém se queixa de acordar mais cedo", confidenciou o jornalista François Gallo.

Últimas notícias

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Desporto
Pub
Pub