O "mestre" da maratona voltou a superar-se, agora aos 85 anos

Ed usa esta camisola verde desde o século passado, mais precisamente desde 1986

Edward Whitlock é engenheiro de profissão e maratonista por paixão. Há 15 anos sem trocar de sapatilhas, retirou 34 minutos ao anterior recorde do mundo na sua faixa etária e já detém 36 marcas mundiais

"Sim, já são velhos. Mas eu também o sou, por isso fazemos uma boa dupla." Edward Whitlock continua a desafiar os limites da idade. Aos 85 anos, o veterano maratonista, que não troca de ténis há 15 anos, pulverizou o recorde mundial da sua faixa etária, ao terminar a Maratona Scotiabank Toronto Waterfront, no Canadá, em três horas, 56 minutos e 33,2 segundos.

O maratonista, nascido em Londres mas a viver há várias décadas no Canadá, retirou 34 minutos à anterior marca mundial para atletas de mais de 85 anos. "Queria correr em três horas e 50 minutos, mas tive alguns problemas na segunda parte da corrida", contou o multicampeão, que é neste momento detentor de 36 marcas mundiais em provas para veteranos no atletismo.

Ed, que é também conhecido como "mestre" entre os colegas, nunca teve treinador, preparador físico ou representante. O atleta começou a correr na adolescência, mas decidiu parar aos 20 anos, para se dedicar ao curso de engenharia, após se ter tornado um especialista nos corta-matos escolares e corridas universitárias.

Após 20 anos dedicados à engenharia, decidiu voltar a conciliar a corrida com a profissão. Aos 41 anos, voltou a apostar em maratonas, destacando-se à medida a que subia de escalão etário. Aos 72 anos, em 2003, fez história, ao tornar-se o primeiro homem de mais de 70 anos a conseguir correr a maratona em menos de três horas.

Embora a maratona seja a sua preferência, Ed também já somou recordes noutras especialidades. Em 2012, estabeleceu um novo recorde numa meia-maratona, em Londres, mas a marca não foi reconhecida como oficial, por se tratar de uma prova amadora. Ainda assim, dos 1500 aos 10 000 metros, o veterano fundista detém marcas mundiais em todos os escalões a partir dos 65 anos.

Todas as manhãs, Ed sai à rua para correr. "Só corro na rua, nunca em máquinas", conta o fundista, que admite que com o passar dos anos começa a sentir dificuldades. "Tenho sobretudo dores nos joelhos, que me causam problemas", explica, sem planos para abandonar a corrida.

"Não quero parar, quero correr até não conseguir mais." De preferência, sempre com os ténis que o acompanham desde que, em 2003, bateu o emblemático recorde. "São bons. A minha camisola também me acompanha há 30 anos", realçou.

Os escalões etários na maratona chegam até aos 100 anos - Fauja Singh conseguiu, em 2011, precisamente aos 100 anos, estabelecer a marca mundial de 8 horas, 25 minutos e 17 segundos, já depois de ter fixado o recorde de 5:04.01 no escalão de mais de 90 anos. "Não sei até que idade vou correr, mas vou sempre tentar ir mais longe. Cada corrida terminada motiva ainda mais para a próxima", rematou Whitlock.

Relacionadas

Últimas notícias

A tradição deu as boas-vindas à modernidade. O grupo de Zés-Pereiras Unidos da Paródia recebeu o MIMO em Amarante com uma atuação no largo da Igreja de São Gonçalo, antes do programa do festival começar, numa noite que juntou no Parque Ribeirinho Três Tristes Tigres, Tinariwen e Nação Zumbi. Após os gigantones terem saído de cena, um grupo de brasileiros radicados em Portugal aproveitou para tirar fotografias empunhando mensagens contra Michel Temer e a rede Globo e de apoio à Nação Zumbi.

O histórico grupo brasileiro foi o último a tocar na primeira noite do festival, já de madrugada, mas antes, ao fim da tarde, participou numa conversa no Fórum de Ideias. Moderado pelo consultor editorial Tito Couto, o encontro com o guitarrista Lúcio Maia e com o baixista Dengue foi um cartão de visita para quem não conhecia bem o grupo de Recife, e em especial do seu malogrado líder, Chico Science. Lúcio Maia lembrou que nos anos 80 a cidade chegou a estar classificada como a quarta pior do mundo para viver - e que a origem do nome do movimento manguebeat se deve à ideia de "afetividade" de Chico Science para com os manguezais, porque Recife foi construída à custa do aterro dos mangues. Sobre a mistura de sonoridades que caracteriza a Nação Zumbi, Dengue comentou: "Foi uma sacada muito grande do Chico. No final das contas, o nosso som era inclassificável, coisas de Pernambuco com o rock. Até para nós, hoje, soa estranho e novo o primeiro disco."

Nada estranho foi o primeiro concerto do festival, o do Quarteto Arabesco com Pedro Jóia. O grupo de cordas e o guitarrista encheram a Igreja de São Gonçalo com um repertório que começou na clássica (Luigi Bocherinni), passou pelo mestre Carlos Paredes, prosseguiu com Armandinho e Raul Ferrão, e culminou nas variações sobre fado corrido, da autoria de Jóia. Um arranque tranquilo e virtuoso. A poucos metros de distância, no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, um septuagenário carioca com aura de lenda estreava-se em Portugal: Jards Macalé.

Mas o momento de maior simbolismo foi protagonizado por outro compatriota e colega de ofício, quando se viu Rodrigo Amarante a distribuir abraços a fãs a meio da ponte de São Gonçalo. Sobre o Tâmega também houve ação política: um movimento ambientalista passava a mensagem contra o projeto de construção de uma barragem no curso do rio. Nem tudo é música num festival como o MIMO.

E prova da importância para a região deste evento, o ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral aproveitou a deslocação à cidade, na qual inaugurou uma start-up, para conhecer o festival, acompanhado do autarca e da organizadora, Lu Araújo.

Partilhar

Conteúdo Patrocinado

Mais popular

  • no dn.pt
  • Desporto
Pub
Pub