Henriques diz que ouro e recorde resultam de 25 anos de trabalho

"Foi fantástico, não consigo descrever em palavras aquilo que estou a sentir"

A medalha de ouro hoje nos Mundiais de atletismo e o recorde mundial nos 50 km marcha são fruto de " de 25 anos de trabalho", disse hoje a portuguesa Inês Henriques.

"Foi fantástico, não consigo descrever em palavras aquilo que estou a sentir. Isto é a recompensa de 25 anos de trabalho, do meu treinador Jorge Miguel e da minha equipa de Rio Maior", afirmou, no final da prova,

Para a atleta, de 37 anos, o feito é "extraordinário", mas alcançado com dificuldade.

"Os últimos quatro quilómetros foram muito duros, mas eu comecei a fazer contas e [pensei]: 'Só tens de acabar tranquila'. Não podia fazer muito mais esforço em termos musculares, foi mesmo gerir até ao fim", revelou.

A atleta do CN Rio Maior, de 37 anos, foi cronometrada em 4:05.56 horas, pulverizando o seu recorde mundial, que estava fixado nas 4:08.25 horas e datava de 15 de janeiro de 2017, em Porto de Mós.

A marchadora agradeceu aos vários portugueses que a apoiaram ao longo do circuito, junto ao palácio de Buckingham.

"Estava quase em casa, porque ouvia muitos, muito portugueses", declarou.

Inês Henriques descreve-se como uma "atleta trabalhadora" que sempre acreditou conseguiria melhor e no ano passado, depois dos Jogos Olímpicos do Rio2016, começou a ponderar fazer os 50km marcha.

"O Jorge Miguel, que é mais ambicioso do que eu, fez-me este desafio inicialmente para fazer em janeiro. Eu: 'Mas é possível fazer menos de 4:10' e ele: 'Sim, tu consegues fazer 4:06', relatou.

Na altura completou a distância em 4:08.25 horas, tempo a que atribuiu à "falta de experiência", e determinou as 4:06 horas, que era a marca que a IAAF queria estabelecer como mínimos para estes Campeonatos em Londres, onde os 50 km marcha femininos se realizaram pela primeira vez.

"[Hoje] Eu consegui. Acho que é um marco histórico para os 50 km [marcha] femininos. Eu só espero que mais mulheres façam 50 km para posteriormente conseguirmos estar nos Jogos Olímpicos e mostrarmos que vamos ter um bom nível e que nós mulheres também conseguimos", enfatizou a atleta.

O ritmo no início da prova foi inconstante e recebeu instruções para "abrandar", mesmo se estava ameaçada pela chinesa Hang Yin, mas, disse Henriques, "como tínhamos programado, a partir dos 30 quilómetros ficou para atrás".

Até chegar a Londres, Inês Henriques tinha no currículo três participações olímpicas, a última das quais no Rio2016, onde alcançou o 12.º posto nos 20 km marcha. A atleta conta ainda um sétimo posto nos Mundiais de 2007 e um nono nos Europeus de 2010, sempre na distância dos 20 km.

O pódio nos Mundiais de Londres foi completado com duas atletas chinesas: Hang Yin, prata, com 4:08.58, e Shuqing Yang, bronze, com 4:20.49.

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