Ao fim de 45 anos, treinador de Inês Henriques leva a própria medalha para casa

Pela primeira vez em Mundiais, os treinadores de atletas medalhados também recebem medalha

Ao fim de 45 anos de carreira, o treinador de marcha Jorge Miguel recebeu este domingo a primeira medalha pessoal, graças ao primeiro lugar de Inês Henriques na prova dos 50 km nos Campeonatos do Mundo de atletismo, em Londres.

Pela primeira vez em Mundiais de atletismo, os treinadores de atletas medalhados também recebem da organização medalhas para "reconhecer a relação de trabalho única e valiosa entre atleta e treinador".

Ao saírem do pódio, os atletas recebem uma medalha adicional para entregarem aos respetivos treinadores.

As medalhas são semelhantes, mas diferentes no design daquelas entregues aos atletas, em que se podem ver símbolos de cada uma das modalidades, envolvidas por monumentos emblemáticos da cidade como a Tower Bridge, London Eye e o Big Ben.

Com uma carreira iniciada em 1972, Jorge Miguel foi durante 25 anos atleta e treinador, mas foi como técnico que se distinguiu.

Membro do Clube de Natação de Rio Maior, está ligado à carreira de atletas como Susana Feitor, João Vieira, Sérgio Vieira, Inês Henriques e Vera Santos, atletas que ajudou a ganhar muitas medalhas.

Só com Susana Feitor, venceu "mais de 10 medalhas" em competições para juniores e sub-23 e medalhas de bronze nos Europeus de Budapeste 1998 e dos Mundiais de Helsínquia 2005.

Esteve também por detrás da medalha de bronze de Inês Henriques na Taça do Mundo no México 2010, além de ter orientado atletas na conquista de medalhas em provas coletivas.

Porém, o título de hoje "é especial", confessou à agência Lusa.

Inês Henriques, com quem trabalha há 25 anos, não só terminou em primeiro lugar como estabeleceu um novo recorde mundial em 4:05.56 horas, pulverizando a marca que ela própria tinha fixado em 4:08.25 em 15 de janeiro de 2017, em Porto de Mós.

"Enquanto a Susana Feitor era um talento extraordinário, e era relativamente fácil ela treinar um ano e ganhar logo uma medalha ou duas, a Inês é uma 'jovem' cujo talento é a força de vontade ao longo de tantos anos e que a levou a chegar ao top 10 dos 20 km e permanecer aí desde 2007, quando foi sétima no Campeonato do Mundo", saudou o treinador.

Foi Jorge Miguel quem desafiou a atleta de 37 anos a passar da distância de 20 km para 50 km, confiante de que a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) iria, mais cedo ou mais tarde, reconhecer esta prova tal como acontece para os homens.

"Surgiu esta oportunidade, nós agarrámo-la. Fui eu quem primeiro incentivei a Inês, ela aceitou logo o desafio", disse.

Atualmente, está a treinar Miguel Carvalho, de 21 anos, que competiu nos 50 km marcha masculinos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, mas não rejeita que comece a preparar mais mulheres para a distância.

"Depende das oportunidades e das circunstâncias que se colocam", explicou.

Em 2014, Jorge Miguel foi distinguido pela Associação Europeia de Atletismo (AEA) com o prémio 'Treinador de Excelência'.

É ainda o principal impulsionador do Grande Prémio Internacional de Marcha de Rio Maior, que teve este ano a 26.ª edição.

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