Maratona em menos de duas horas "só dentro de cinco anos"

A Nike quer, através de uns ténis que estão a dar polémica, baixar a fasquia das duas horas. O recordista europeu da distância, o português António Pinto, coloca muitas reservas

O desporto está sempre à procura de estabelecer novos limites e muitos têm sido os recordes registados.

Agora o grande objetivo no atletismo parece ser a maratona e a fasquia das duas horas. A Nike, marca de equipamentos desportivos norte-americana, está bastante empenhada em ver um atleta fazer os 42,195 mil metros da distância serem cumpridos em menos de duas horas, estando o recorde atual em 2:02:57, registado pelo queniano Dennis Kimeto em 2014 na capital da Alemanha, Berlim.

Basicamente, a Nike está a produzir umas sapatilhas que terão como objetivo reduzir o consumo de energia do corredor em 4%. O calçado está a ser testado em laboratório perante o ceticismo de fisiologistas e especialistas em biomecânica.

As sapatilhas que prometem revolucionar a história da distância mais antiga da história do atletismo pesam 200 gramas e têm uma inclinação, mas o segredo parece estar na meia sola, que terá uma placa de fibra de carbono em forma de colher. E é aqui que pode estar o problema deste calçado, pois é visto como doping tecnológico e a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) já anunciou que vai investigar, para perceber se isso não dará uma vantagem "injusta" a quem utilize as Vaporfly Elite, que terão um preço a rondar os 233 euros.

O recordista europeu da maratona, o português António Pinto (2:06:36, em Londres no ano de 2000), coloca bastantes reservas sobre atingir desse objetivo a curto e médio prazo. "Os ténis são importantes, mas mais importante é o atleta estar em grande forma. Hoje todas as marcas desportivas procuram dotar os seus equipamentos com o melhor conforto possível. Isso já aconteceu com a natação, por exemplo com aqueles fatos que até são feitos em Portugal. Mas doping não me parece que seja, vejo mais como um doping psicológico para o atleta. Mas acho que deve ser investigado, claro que sim, até porque atualmente no ciclismo até as bicicletas passam num raio-x. Mas se me pergunta se eu vejo o recorde a ser batido de imediato, digo que não. Mas dentro de cinco ou seis anos sim, vejo isso poder acontecer", diz António Pinto ao DN.

Confrontado com o facto de as sapatilhas da Nike darem a sensação, mesmo num circuito plano, "de estar a descer uma ladeira" e sem possibilidades de o fazer a um ritmo baixo, António Pinto utiliza o exemplo de ícone do desporto português e mundial: "Como já disse, o equipamento é importante e tudo ajuda a que o atleta tenha mais condições, mas a Nike também produz chuteiras de propósito para o Cristiano Ronaldo e não é isso que faz que ele marque mais de 50 golos por temporada."

Independentemente disto, o queniano Eliud Kipchoge, o etíope Lelisa Desisa e o eritreu Zersenay Tadese foram os três atletas escolhidos pela Nike para testarem o programa Breaking2 h no circuito de Monza, onde pode fazer história e um dos africanos conseguir o que nunca nenhum homem alcançou: baixar o tempo da maratona para menos de duas horas. Ainda não se sabe bem quando será a data da tentativa, mas o que se vai dizendo é que será até ao fim do mês de maio.

A Adidas, grande rival da Nike no universo dos equipamentos desportivos, procura o mesmo objetivo e para isso promete lançar uns ténis com uma sola de espuma especial que devolve a maior parte da energia consumida pelo atleta. Ainda assim, proporciona apenas 1% de poupança, ao contrário dos 4% da Nike.

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