Loeb lidera desfile de estrelas do ralicrosse em Montalegre

Sébastien Loeb é um dos favoritos em Montalegre

Vila transmontana volta a acolher uma etapa do Mundial de ralicrosse, uma disciplina de velocidade que já atraiu algumas das grandes estrelas do desporto automóvel

Vão dos 0 aos 100 km/hora em menos de 2 segundos (mais rápido do que um Fórmula 1). As corridas são autênticas descargas de adrenalina, várias séries de cinco ou seis voltas em que os pilotos levam os carros ao limite por um lugar na ronda seguinte. Um formato a eliminar que gera despiques e ultrapassagens, entusiasma o público e atrai cada vez mais pilotos de renome para as pistas do ralicrosse. O francês Sébastien Loeb, nove vezes campeão mundial de rali, lidera o desfile de estrelas da modalidade que vai tomar Montalegre de assalto durante este fim de semana.

É esperada uma enchente nesta vila transmontana, que recebe a prova pelo quarto ano consecutivo. Alguns dos adeptos mais fanáticos já lá estão há vários dias. Sábado e domingo, o número deve crescer para 50 a 60 mil pessoas. "Se o São Pedro ajudar", como espera Jorge Fonseca, do Clube Automóvel de Vila Real, que divide a organização do evento com a Câmara Municipal de Montalegre e a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting.

Mais de metade dos visitantes serão espanhóis, verdadeiros aficionados deste desporto. Há também uma falange de adeptos nórdicos que acompanham todas as provas do circuito. Mas é a transmissão televisiva em mais de cem países que mais contribui para colocar as paisagens de Montalegre no mapa do automobilismo mundial. "É uma das melhores pistas. Graças a esta prova, o nome de Montalegre já começa a ser conhecido em todo o mundo", explica Mário Barbosa, um dos pilotos portugueses mais experimentados, que competirá na categoria Super1600.

"Os hotéis estão a rebentar pelas costuras. É uma loucura", relata Jorge Fonseca. O retorno económico do evento para a região, na prova do ano passado, foi estimado de três a quatro milhões de euros. Este ano deve superar esses números, a começar pela receita de bilheteira. Foi instalada uma nova bancada, na zona sul do traçado, que tem lugar para mais 3 mil espectadores poderem assistir de perto às manobras de Loeb, Petter Solberg e companhia.

E uma das principais vantagens desta modalidade é que o público tem visibilidade para quase toda a pista. Por isso é que há cada vez mais adeptos de ralicrosse, que tenta combinar os melhores condimentos dos ralis e das corridas de pista. "É uma prova de sprint", descreve Mário Barbosa. O terreno é composto por 70% de asfalto e 30% de terra. "Os carros são muito evoluídos, têm cerca de 600 cavalos. São poucas voltas em que temos de puxar o máximo por eles", acrescenta.

Depois de se ter estreado nesta modalidade em Montalegre, no ano passado, Sébastien Loeb (Peugeot Hansen) lidera o pelotão de vedetas do automobilismo que se apaixonaram pelo ralicrosse. O norueguês Petter Solberg (Volkswagen), vencedor desta etapa em 2016, é outro nome que fez carreira nos ralis, volta para tentar revalidar o título. E terá ainda a feroz concorrência do sueco Mattias Ekstrom (EKS), o campeão mundial em título e vencedor da corrida inaugural de 2017, que teve lugar em Barcelona.

Entre os 22 piltotos que competem nesta categoria principal (SuperCar) há também um português. Joaquim Santos (Bompiso Racing Team), ao volante de um Ford Focus, é o único representante nacional na prova-rainha desta segunda etapa do Campeonato Mundial de ralicrosse (World RX). Joaquim Santos apenas vai participar na etapa portuguesa, tendo como objetivo mínimo melhorar o 20.º posto de 2016.

Português à aventura pela Europa

Na categoria Super1600, a contar para o Campeonato da Europa, há seis portugueses em competição. Um deles é Mário Barbosa, que tem fortes esperanças para o seu novo Ford Fiesta. No ano passado, saiu de Vila Real com um segundo lugar na prova e a liderança da classificação europeia. "Tenho a ambição de voltar a lutar pelos lugares da frente, embora não saiba o que esperar do carro, pois é completamente novo e não tivemos tempo para testá-lo", antecipa.

Esse resultado promissor na etapa inaugural de 2016 levou-o a tentar a sua sorte no circuito europeu. "Na etapa seguinte, em Inglaterra, consegui fazer a volta mais rápida, estava tudo a correr bem até ter tido um acidente", recorda. Um percalço que adiou por um ano a vontade de se aventurar pela Europa. Em 2017 é de vez: reuniu apoios, fez algum investimento pessoal e vai tentar a sua sorte em Montalegre e nas restantes cinco etapas.

"Normalmente, diz-se que o primeiro ano é para desenvolver o carro e o segundo para atacar as vitórias. Vamos ver", diz Mário, ansioso por voltar a sentir as emoções do ralicrosse. "É uma grande adrenalina para os pilotos, toda esta velocidade e o confronto direto", atira, desejando "que por uns dias se fale mais do automobilismo em Portugal".

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