Giannis Antetokounmpo. The Greek Freak já é um fenómeno All-Star

Filho de imigrantes nigerianos, descoberto na segunda divisão grega, tem tido ascensão meteórica e estreia-se no jogo das estrelas

"Já não é só um mero atleta, um fenómeno físico anormal. Ele aprendeu a jogar este jogo." Gregg Popovich não é propriamente um homem de elogio fácil. O mais vitorioso técnico em atividade na NBA é conhecido por medir bem as doses de simpatia que emprega no discurso. Por isso, as palavras do treinador dos San Antonio Spurs são um bom certificado para atestar o impacto de Giannis Antetokounmpo, o fenómeno grego que conquista cada vez mais adeptos na liga norte-americana de basquetebol. Uma popularidade galopante que vale ao jogador dos Milwaukee Bucks a estreia, e como titular, no Jogo das Estrelas (All-Star Game) que se realiza domingo (madrugada de segunda-feira em Portugal), em Nova Orleães.

The Greek Freak - assim o batizou de imediato a NBA desde que foi escolhido pela equipa do Wisconsin na 15.ª posição do draft de 2013 - já não é só o prospeto exótico de basquetebolista que combinava a mistura rara entre uma agilidade aparentemente desengonçada e uma invulgar estrutura física, embrulhada por um apelido dificilmente pronunciável. Filho de pais nigerianos imigrados na Grécia, em Atenas, onde cresceu a vender óculos de sol, relógios, carteiras e bugigangas várias aos turistas para poder sobreviver, Antetokounmpo, agora com 22 anos e na sua quarta temporada na liga, é a mais fascinante jovem estrela da NBA atual.

Entre Magic e Chamberlain

A prestigiada revista norte-americana Sports Illustrated chamava--lhe mesmo no início deste ano "o mais intrigante base na história da NBA". Com 2,11 metros de altura e uma envergadura de mãos de 30 centímetros (12 centímetros mais do que a média de um homem adulto e um centímetro mais até do que Wilt Chamberlain, o grande poste dominador das décadas de 1950 e 1960), Giannis está, decididamente, longe de ser um point guard tradicional. Aliás, o grego não era sequer um base à chegada aos Estados Unidos. E, mesmo agora, catalogá-lo assim é uma etiqueta demasiado redutora.

Antetokounmpo é um base-extremo-poste, um basquetebolista híbrido capaz de desempenhar qualquer posição em campo e a quem o técnico dos Bucks - Jason Kidd, um dos melhores bases da história recente da liga - resolveu entregar o papel principal na condução do ataque, revolucionando o jogo de Giannis e da própria equipa de Milwaukee.

Do alto dos seus 2,11 m, Antetokounmpo consegue conduzir a bola para o ataque e organizar as jogadas ofensivas com a mesma facilidade com que luta pelos ressaltos junto ao cesto, corre de uma ponta à outra em contra-ataque e consegue afundar com um salto desde a linha de lance livre (ao melhor estilo Michael Jordan em Space Jam).

O fenómeno grego é um basquetebolista total, um elemento disruptivo na paisagem tradicional do jogo. Giannis é, com as devidas distâncias, como que um upgrade geracional da versatilidade de Magic Jonhson - o primeiro grande base alto da NBA, capaz de jogar também em várias posições e que se tornou uma das principais figuras da liga, na década de 1980. "A forma como consegue pôr a bola no chão, a estatura, a variedade e amplitude do seu basquetebol fazem lembrar o impacto que teve o Magic quando entrou na liga", compara o treinador dos Toronto Raptors, Dwane Casey.

Os números comprovam a natureza extraordinária deste fenómeno grego. Antetokounmpo tem médias de 23,4 pontos, 8,6 ressaltos, 5,4 assistências, 2 desarmes de lançamento e 1,8 roubos de bola por jogo esta época. Uma combinação estatística que, nos últimos 40 anos, apenas encontra semelhanças em nomes como Magic Johnson (lá está), Larry Bird, Michael Jordan, Scottie Pippen ou Kareem Abdul-Jabbar, autênticas lendas da liga.

Vendedor nas ruas de Atenas

Este Greek Freak tem extrapolado até as previsões mais otimistas do diretor-geral dos Milwaukee Bucks, John Hammond, o homem que na primavera de 2013 viajou até à Grécia para ver in loco aquele extremo promissor sobre quem lhe tinham chegado boas indicações. Na altura, Antetokounmpo, de 18 anos, não jogava sequer em nenhum dos grandes clubes gregos (Olympiacos ou Panathinaikos). Não jogava sequer na primeira divisão grega. Ele e um dos irmãos atuavam no pequeno Filathlitikos, da segunda divisão. Quando podiam. Por vezes, a jornada de vendas nas ruas tinha de prolongar-se até mais tarde. Por vezes, "a frigideira ficava vazia". "Nalguns dias não vendíamos o suficiente e não tínhamos dinheiro para comer", recordou numa das suas primeiras entrevistas em solo norte-americano, em 2013, ao New York Times.

No draft desse ano, quando chegou a vez dos Milwaukee Bucks escolherem o seu rookie, na posição 15, Hammond estava feliz por nenhum diretor-geral antes dele ter tido o mesmo feeling em relação a Antetokounmpo, o jogador mais novo naquele draft. E nem hesitou. "Havia escolhas mais seguras, sim, talvez, mas nenhuma outra com tanto potencial quanto o deste miúdo", justificou na altura o dirigente dos Bucks, perante a curiosidade generalizada.

"Eu sei que ainda não estou pronto e que tenho um longo trabalho pela frente. Mas não tenho medo. Vou provar que os Bucks fizeram bem em escolher-me", prometia Antetokounmpo. Aos poucos, o jovem promissor foi demonstrando flashes do seu potencial ao longo das primeiras duas temporadas. Até que Jason Kidd tomou a decisão que verdadeiramente catapultou o grego para uma esfera all-star. Depois de o ter testado na pré-época sem ficar convencido, a 20 de fevereiro do ano passado, num jogo em Atlanta, o treinador dos Bucks entregou o ataque às mãos de Giannis. E já não houve ponto de retorno nesta excitante experiência de produzir o mais alto base da história da NBA.

33 anos depois de Moncrief

Esta temporada, depois de mais um verão a trabalhar intensamente com o adjunto Sean Sweeney, Antetokounmpo elevou o seu jogo para o nível das grandes estrelas da liga e viu isso reconhecido na votação para este All-Star Game, que tem lugar em Nova Orleães. O fenómeno grego foi o segundo mais votado entre os extremos da Conferência Este (sim, porque, apesar de ser o principal estratega do ataque dos Bucks, ainda aparece oficialmente como extremo nas fichas de jogo), apenas atrás de LeBron James.

Entre os cinco iniciais que vão começar o duelo entre Este e Oeste na arena do Smoothie King Center, Giannis é o único estreante. A estrela emergente da liga, que volta a colocar Milwaukee no mapa dos jogos All-Star (e do interesse mediático). Os Bucks, localizados na quinta cidade com menor mercado mediático de toda a liga, já não viam um jogador seu no All-Star Game desde Michael Redd, em 2004. E não tinham um titular desde Sidney Moncrief, em 1984.

Antetokounmpo tem tudo para ser the real deal, um jogador-âncora para a equipa de Milwaukee - que só ganhou um título de campeão, em tempos já bem longínquos (1971, com Oscar Robertson e Kareem Abdul-Jabbar ainda como Lew Alcindor). E a sua popularidade já produz um significativo impacto comercial: na última lista oficial relativa às vendas de camisolas da NBA, o grego aparecia pela primeira vez no top 15 (em 14.º).

Giannis Antetokounmpo, o filho de nigerianos que vendia óculos de sol junto à Acrópole, em Atenas, já não é só um exótico Greek Freak. Tornou-se uma das principais estrelas da NBA. Um All-Star.

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