Federer prolonga a lei dos veteranos

Vitória em Wimbledon confirmou tendência. Top 5 totalmente ocupado por trintões; e entre os dez melhores só um é sub-23

Roger Federer reforçou a constatação em Wimbledon: o ténis masculino atual não é para novos. Pelo menos esta parece ser a lei vigente na modalidade, ainda não preparada para uma sucessão geracional no topo dos rankings. Basta olharmos para a tabela ATP e percebemos que os primeiros cinco têm todos mais de 30 anos: Andy Murray (30), Rafael Nadal (31), Roger Federer (35), Novak Djokovic (30) e Stan Wawrinka (32). E no top 10 apenas cabe um sub-23, o austríaco Dominic Thiem.

Se, outrora, um tenista que estivesse à beira dos 30 anos tinha de começar a pensar na retirada, no presente os veteranos parecem ter descoberto o elixir da juventude: nesta época, os três Grand Slams já disputados foram todos conquistados por renascidos trintões: Roger Federer (Austrália e Wimbledon) e Rafa Nadal (Roland Garros).

O checo Tomas Berdych, 31 anos e número 15 da hierarquia, tem uma explicação para o facto de a nova vaga estar a ser secundarizada por tenistas com muitos anos ao mais alto nível: "Há uma tendência, somos capazes de esticar um pouco mais a carreira. Todos os tenistas têm os seus fisioterapeutas, os seus preparadores físicos, o staff é cada vez maior e depois ainda há as dietas que cada vez são seguidas com mais rigor. São muitos detalhes e todos eles podem prolongar a carreira de um tenista."

Além disso, há traços de personalidade que parecem arredados dos atletas mais jovens e promissores, como a paixão, o profissionalismo e até a determinação. Os australiano Nick Kyrgios e Bernard Tomic são bons (maus?) exemplos disso. Este último, na semana passada, foi eliminado por Mischa Zverev e no final disse que o ténis o aborrecia: "Não estava em jogo mental ou físicamente. Não sei porquê. Senti-me um pouco aborrecido, para ser sincero." A ATP não gostou das declarações de Tomic e multou o australiano em 15 mil dólares. E como um mal nunca vem só, um patrocinador denunciou o contrato que mantinha com o atleta.

Já Nick Kyrgios continua a somar episódios de imaturidade que lhe travam o inquestionável talento.

A culpa pode ser da pontuação

Precisamente depois de ter ganho Wimbledon pela 8.ª vez e de somar o segundo Grand Slam da época (19.º na carreira), Roger Federer abordou a incapacidade dos mais jovens para vencer os mais velhos nos principais torneios e até os consegue desculpar com a pontuação vigente.

"A geração seguinte à minha e do Rafa [Nadal] não foi suficientemente consistente para nos colocar de lado. Um jovem tenista pode vencer-nos, mas se não chegar a uma final ou vencer um torneio não avançará nos rankings (...) Eu cresci e evoluí com os pontos de bónus na década de 1990. Sinto que há qualquer coisa de errado no atual sistema de pontuação. Se fizeres um grande torneio e atingires os quartos-de-final, como o Andy Murray, que lutou e perdeu em cinco sets, sais com 360 pontos. Eu saio com 2000. Há uma diferença muito grande e tem sido assim há uns anos."

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