Ali bin al-Hussein desistiu. Blatter reeleito para quinto mandato na FIFA: "Gosto do meu trabalho"

Joseph Blatter foi reeleito depois de Ali bin al-Hussein ter desistido quando se ia iniciar a segunda volta. "Gosto do meu trabalho. Não sou perfeito. Vamos fazer um bom trabalho juntos", disse Blatter.

Na votação de hoje para a presidência da FIFA; Joseph Blatter conseguiu 133 votos, contra 73 de Ali bin al-Hussein. O atual presidente da FIFA ficou assim a apenas sete votos dos 140 de que precisava para vencer na primeira volta (dos 209 votos, três foram inválidos). O colégio eleitoral preparava-se para a segunda volta da eleição - na qual bastaria uma maioria simples para declarar um vencedor - quando o candidato jordano anunciou que se retirava da corrida, acelerando assim o processo de recondução do atual presidente, que começa assim o quinto mandato aos 79 anos.

Joseph Blatter afirmou, no seu discurso, que toma "a responsabilidade de recuperar a FIFA", assegurando que no final do mandato de quatro anos entregará a FIFA "muito forte" ao seu sucessor. "Gosto do meu trabalho. Não sou perfeito. Vamos fazer um bom trabalho juntos", salientou, dirigindo-se aos representantes das federações.

O presidente da FIFA começou por agradecer a atitude do seu adversário Ali bin al-Hussein. "Ele podia ter dito 'vamos continuar porque posso ter mais votos'", referiu Blatter, realçando que apesar da desistência, Ali bin al-Hussein "obteve um resultado muito bom".

Quanto a Ali bin al-Hussein, limitou-se a agradecer a todos. "Foi uma viagem maravilhosa. Quero agradecer especialmente a todos os que corajosamente votaram em mim", frisou.

Disse ainda que a FIFA tem "problemas executivos" e que é importante "ter melhor representantes", exemplificando com a necessidade de ter mais mulheres e "mais respeito pela Oceania". Garantiu ainda que não irá mexer no Campeonato do Mundo, mas que as competições jovens, como os sub-20 e os sub-17 serão revistas.

O processo de votação não foi rápido, não só porque há duas centenas de federações que precisaram de colocar o voto - por ordem alfabética - mas também porque ambos os candidatos se dirigiram aos membros do congresso numa declaração final.

Enquanto se aguardava pelo final da votação, o Guardian escreveu que o tempo que estava a demorar já fez com que o presidente da federação alemã perdesse o voo para regressar ao país. Publicou ainda um tweet onde se vê os preparativos para a cerimónia de encerramento que parece que vai contar com badalos, como os utilizados pelas vacas, mas gigantes.

Blatter - muito mais aplaudido que o seu único rival, o príncipe jordano Ali bin al-Hussein - falou em francês. Diz o Guardian que poderá ter sido um apelo aos seus apoiantes africanos, já que as federações latino-americanas parecem, no último momento, ter decidido apoiar o jordano. Sepp, que lidera a FIFA desde 1998, prometeu sair no final do próximo mandato de quatro anos, depois de reformar o organismo. Já o príncipe Ali, menos entusiasta do que o suíço, discursou olhando para as notas e finalizou pedindo ao congresso para votar em consciência, ouvindo "os seus corações".

O voto é secreto, ainda que muitos países ou regiões tenham já declarado publicamente o apoio a um dos candidatos. É conhecida a oposição da UEFA - nas palavras duras de Platini - à continuidade de Blatter, mas sabe-se que o presidente da FIFA nos últimos 17 anos tem o apoio das federações de futebol asiáticas e africanas.

À BBC, o presidente da Federação de Futebol da Nigéria disse estar 100% convicto da vitória de Blatter. Amaju Pinnick garantiu que o suíço terá, pelo menos, 50 dos 54 votos das federações africanas. "Conhecemos os nossos amigos da Ásia, da América Latina, por isso posso garantir que vai ser uma boa vitória para ele". Já o príncipe Ali tem o apoio das federações europeias.

Vence o candidato que conseguir obter dois terços dos votos - 139 dos 209. Caso não se verifique esta proporção, passa-se a uma segunda volta: nesta fase, uma maioria simples é suficiente para declarar vitória.

Uma novidade: a FIFA adiou a conferência de imprensa do vencedor, que deveria ter lugar após a votação, para sábado. O que significa que o próximo presidente não vai falar ainda esta sexta-feira à comunicação social. As últimas informações, ainda por confirmar, indicam que a conferência de sábado também foi cancelada.

Acordo entre Palestina e Israel

A Palestina retirou esta sexta-feira o pedido de suspensão da Federação Israelita de Futebol da FIFA, um dos pontos que estava na agenda do 65.º congresso do organismo que tutela o futebol internacional. Os presidentes das federações de futebol da Palestina, Jibril Rajoub, e de Israel, Ofer Eini, cumprimentaram-se mesmo com um aperto de mãos, que foi muito aplaudido.

O presidente da Federação Palestiniana, Jibril Rajoub, disse ao congresso ansiar pelo dia em que os palestinianos, "como tantos outros", possam aproveitar os benefícios do futebol. "Deixem-nos olhar para a frente e ser otimistas". Rajoub disse aos presentes que a retirada da proposta para suspender Israel da FIFA se deveu também à chanceler Merkel, que terá falado com ele sobre a questão.

A Palestina queria que a FIFA suspendesse Israel devido às restrições ao movimento de futebolistas palestinianos, pedindo igualmente que cinco clubes, que ficam em colonatos na zona ocupada da Cisjordânia, fossem impedidos de participar no campeonato israelita.

Falsa ameaça de bomba

O Congresso da FIFA em Zurique retomou a sessão com relativa normalidade após o almoço. Os trabalhos, que deveriam ter recomeçado às 13.30, hora local, reiniciaram minutos depois da hora estipulada devido a uma falsa ameaça de bomba, entretanto confirmada pela polícia suíça. As autoridades inspecionaram o perímetro, depois de ser evacuado o salão principal onde decorria o congresso. Os jornalistas que estavam no media center queixaram-se no Twitter de não terem sequer sido informados do alerta, enquanto outros, que estavam na sala maior, foram obrigados a sair.

Jérôme Valcke, o secretário-geral da FIFA, deu conta do falso alarme ao início da tarde, revelando que o Congresso podia seguir (veja aqui em direto a transmissão). Foi o segundo incidente do dia, depois de duas manifestantes palestinianas terem interrompido o discurso de Blatter pedindo a expulsão da FIFA da federação israelita.

Mundial de 2006 na Alemanha sob suspeita

Esta sexta-feira, no dia em que Blatter corre ao quinto mandato na FIFA, surgem novas informações que podem adensar o escândalo de corrupção que está a abalar o futebol mundial. Numa entrevista à rádio francesa RTL, Constant Omari, presidente da Federação Congolesa de Futebol, acusou a Alemanha de ter comprado o voto da Oceânia para conseguir receber o Mundial de 2006.

Porém, e apesar de as autoridades suíças terem aberto uma investigação à atribuição dos Mundiais de Futebol de 2018, na Rússia, e 2022, no Qatar, o Mundial de 2006 não tinha sido referido em nenhum inquérito. O próprio relatório do FBI, que desencadeou a detenção de sete dirigentes da FIFA, mencionava apenas os Mundiais de 1998, em França, e o de 2010, na África do Sul.

Também o Reino Unido abriu uma investigação, encontrando-se neste momento, avança o Guardian, a analisar material na sua posse relacionado com as acusações de corrupção na FIFA, reveladas esta semana pelo FBI. Esta investigação surge porque as autoridades britânicas suspeitam que várias contas no Barclays, HSBC e Standard Chartered Bank foram utilizadas para transferir dinheiro dos subornos.

Os nomes dos três bancos, com sede no Reino Unido, foram revelados pela acusação norte-americana. A porta-voz do gabinete britânico incumbido da investigação esclareceu que as autoridades estão prontas a apoiar os inquéritos internacionais em curso, sem revelar que tipo de material têm na sua posse.

"Vocês têm o poder"

O 65.º Congresso da FIFA começou esta sexta-feira em Zurique pelas 9.30 locais - menos uma hora em Lisboa. O "pressionado" presidente Blatter chegou cedo ao Zurich"s Theater 11 e teve honras de discurso de abertura: "Os acontecimentos de quarta-feira provocaram uma tempestade e chegou a questionar-se se este congresso deveria ter lugar, ou se a agenda deveria ser alterada. Hoje, apelo à unidade e ao espírito de equipa, para que possamos, juntos, seguir em frente. Pode não ser sempre fácil, mas é também por essa razão que estamos hoje aqui. Estamos aqui para resolver [estes problemas]. Pode não acontecer num só dia, mas estamos a começar e vamos fazê-lo com os membros das federações nacionais, porque vocês são os embaixadores do nosso futebol. Vocês têm o poder para mudar a face da FIFA. Vocês têm o poder nos vossos corações, um poder que não se compra nos mercados", disse Blatter, mais uma vez agarrado às promessas de mudança com que tem tentado convencer os patrocinadores e os líderes mundiais que questionam a sua liderança perante o escândalo de corrupção.

O discurso de Blatter foi brevemente interrompido por duas manifestantes palestinianas - a FIFA vota hoje a expulsão de Israel do organismo - que gritaram "Israel fora". Uma pequena amostra, dentro de portas, do que se passou no exterior, onde cerca de 150 manifestantes pró-Palestina pediram que Israel fique de fora das competições da FIFA, devido às restrições impostas à liberdade dos jogadores palestinianos.

Durante a manhã, os trabalhos - que contam com menos três delegados, na sequência das detenções de quarta-feira- seguiram os pontos enumerados na agenda do encontro e focaram-se na apresentação dos resultados de 2014, na aprovação do orçamento para 2016 e na discussão da "estratégia político-desportiva" da FIFA.

Ao ponto 17 da agenda colocada no site oficial da FIFA - a eleição do presidente - chegou-se pelas 16.00 em Portugal, menos uma hora em Zurique.

Caução de 360 mil euros para Jack Warner

O ex-vice-presidente da FIFA, Jack Warner - um dos nove dirigentes do organismo que foram acusados de corrupção e associação criminosa - foi o único dos detidos que não foi preso em Zurique. Warner encontrava-se em Trinidad e Tobago, de onde é natural, e saiu hoje da prisão após ter pago uma caução de 360 mil euros. Declarou-se inocente mas, caso a justiça americana prossiga com o pedido de extradição, deverá ser levado para os EUA.

Warner saiu da prisão de ambulância, em direção a um hospital privado, alegando sinais de esgotamento.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nas últimas duas décadas. Em causa, estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol). Este último não foi detido.

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, Jack Warner, de Trinidad e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

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