Doping: vencedor da Volta a Portugal suspenso e desclassificado

Quase um ano depois de Nuno Ribeiro ter ganho a Volta a Portugal de 2009, a justiça desportiva toma uma decisão sobre o futuro do ciclista português: desclassificação e suspensão por dois anos, por doping detectado num controlo fora de competição realizado antes da principal prova do calendário velocipédico nacional. David Blanco é o novo campeão.

“A União Velocipédica Portuguesa / Federação Portuguesa de Ciclismo [FPC] informa que (...) foi proferida Decisão Final pelo Conselho Disciplinar, tendo o corredor sido sancionado com uma suspensão da actividade de 24 meses, e a anulação do resultado obtido na Volta a Portugal de 2009”, indica um comunicado da FPC citado pela Lusa.

Os controlos efectuados de surpresa à equipa da Liberty Seguros detectaram CERA, eritropoietina (EPO) de acção prolongada, a três ciclistas: Nuno Ribeiro, Hector Guerra e Isidro Nozal. Os ciclistas espanhóis conheceram as sanções definitivas em Maio: ambos foram punidos pela Real Federação Espanhola de Ciclismo com dois anos de suspensão.

A EPO é a versão sintética de uma hormona humana que estimula a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos, intensificando o transporte de oxigénio para os músculos durante esforços intensos.

Todos os ciclistas visados foram desclassificados, o que torna o espanhol David Blanco, da Palmeiras Resort-Tavira, no  vencedor da Volta a Portugal do ano passado, a apenas onze dias de começar a deste ano, que já não contará com a Liberty Seguros, pois a equipa dirigida por Américo Silva foi extinta depois de a seguradora ter retirado o apoio financeiro.

Numa conferência de imprensa realizada em Outubro, depois de ter sido conhecido o resultado das análises, Nuno Ribeiro atribuiu as culpas pelo teste positivo ao médico da equipa, o colombiano Alberto Beltrán. "Estava na equipa há três anos, com o mesmo médico, passámos muitos controlos e não tinha havido problemas. Se eu confiava no médico, porque estaria ali a contestar o que o médico me dava?", disse na altura o corredor, vincando que as injecções são usuais no ciclismo, por ser o meio mais usado para administrar vitaminas, e que ele não sabia o que continha o material injectável que Beltrán lhe administrou antes da Volta a Portugal.

Além disso, salientou Nuno Ribeiro, haveria consequências caso recusasse as injecções: "Como todos os empregados de uma instituição, se o patrão mandar fazer algo, o que pode acontecer se questionarem? Podem apanhar um castigo, não ir para aquele trabalho e ir para outro. Se calhar ficaria fora [da edição deste ano da Volta a Portugal]. Éramos uma equipa de 14 ciclistas e se eu ficasse de fora o Américo [Silva] nunca me diria porquê ou que era uma questão técnica. O que poderia ia eu dizer publicamente?"

Nessa altura, o ciclista de Sobrado (Valongo) vincou que iria trabalhar para provocar “uma revolução” no ciclismo, de modo a mudar mentalidades, começando pelos mais jovens. E prometeu que iria colaborar com a Autoridade Antidopagem de Portugal, também com o intuito de tentar reduzir a sanção, que seria no mínimo de dois anos, máximo quarto caso houvesse circunstâncias agravantes.

Mas Nuno Ribeiro sempre disse que nada sabia sobre o que o médico administrava aos ciclistas, que cada corredor tinha planos individualizados e que desconhecia o papel dos dirigentes da equipa, como Américo Silva. O código mundial antidoping prevê redução de penas, até metade, para atletas que dêem informações relevantes para investigações levadas a cabo por organismos de combate à dopagem. O arrependimento ou a simples atribuição de responsabilidades a um membro do pessoal de apoio não chega. Nuno Ribeiro cumprirá os dois anos de suspensão, a não ser que tenha sucesso num eventual recurso para instâncias superiores.

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