Rotavírus mata 580 crianças por dia em África

Cerca de 580 crianças morrem diariamente em África devido a infecções gastrointestinais provocadas pelo rotavirus, um número que contrasta com as 200 mortes anuais na Europa e as 20 a 40 nos Estados Unidos.

Os dados foram apresentados durante o 27º encontro anual da Sociedade Europeia para as Doenças Pediátricas Infecciosas pelo médico sul-africano Shabir Mahdi, presidente do Departamento de Ciência e Tecnologia/Fundação Nacional para a Investigação em Doenças Preveníveis pela Vacinação da Universidade de Witwatersrand.

Shabir Mahdi chefiou um estudo sobre a eficácia da vacinação contra o rotavirus na África do Sul e no Malawi, tendo concluído que a vacina aplicada, a Rotarix, preveniu a doença em 61,2 por cento dos casos (77 por cento na África do Sul e 50 por cento no Malawi).

Embora a percentagem de eficácia seja bastante inferior à registada na Europa (95 por cento), Shabir Mahdi sublinhou, no encontro que decorreu em Bruxelas, o impacto na redução de mortes que a introdução da vacina pode produzir em África.

Devido à elevada mortalidade, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou já a introdução da vacina, em duas doses, às seis e 10 semanas (na Europa faz-se aos quatro e aos 10 meses), nos diferentes países africanos, o que abre a possibilidade de acesso a fundos que possam ajudar a suportar os custos da vacinação, disse Mahdi.

O investigador adiantou que a menor eficácia registada nos estudos realizados em África pode dever-se ao facto de estes terem abrangido crianças portadoras do vírus da imunodeficiência adquirida (HIV/Sida) e ao próprio sistema imunitário das crianças.

O rotavirus é a principal causa de hospitalizações por gastrointerites no mundo, tendo a OMS recomendado, no início do mês, a inclusão da vacinação contra o rotavirus nos planos nacionais.

Sendo um vírus "altamente resistente e muito contagioso", o rotavirus afecta crianças tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento, sendo a morte geralmente provocada por desidratação, uma vez que o dano provocado no intestino é reversível.

Portugal participou num estudo que envolveu cinco países europeus para analisar a eficácia da vacinação em bebés prematuros, um grupo de risco que, segundo a médica pediatra Rosalina Barroso (que participou no estudo), pode beneficiar da vacina.

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