O manual que quer tornar o golfe mais 'verde'

Vistos por muitos como autênticos sugadores de água, os campos de golfe estão a modernizar-se e a desenvolver técnicas para poupar em tudo. O 'Manual de Boas Práticas Ambientais em Campos de Golfe', lançado pelo Ministério do Ambiente e pela Federação Portuguesa de Golfe, pode tornar-se numa boa ajuda para quem gere estes espaços

Um campo de golfe de 50 hectares, na zona do Algarve, gasta cerca de 350 mil metros cúbicos de água por ano. Um pomar com laranjeiras ou limoeiros, com a mesma dimensão, gasta 600 metros cúbicos. Esta discrepância faz com que ambientalistas por todo o mundo se queixem do elevado consumo de água dos campos de golfe, assim como de fertilizantes. A Federação Portuguesa de Golfe (FPG) decidiu agir e, em colaboração com o Ministério do Ambiente, lançou o "Manual de Boas Práticas Ambientais para Campos de Golfe".

"O manual surgiu porque os problemas dos campos de golfe estão relacionados com o planeamento e não com a gestão", diz Alexandra Almeida, da Unidade Ambiental (UA) da FPG, que afirma que o golfe e o ambiente não estão actualmente tão longe um do outro como se julga: "As coisas não estão tão más como se pensa. A maior parte dos gestores actuais aposta no menor gasto possível de água e produtos químicos. Quando há alternativas recorrem a elas."

Mas o que se pode fazer em relação a um tão grande consumo de água por parte dos campos? Alexandra Almeida dá quatro soluções. A primeira está relacionada com os consumos de água que "não se vêem", isto é, a água gasta na lavagem dos equipamentos e máquinas. Enquanto esta é feita diariamente, a rega dos campos de golfe acontece menos vezes, isto dependendo da zona do País: "No Sul, no Verão, os campos são regados todos os dias, no Norte isto só acontece entre três a quatro vezes por ano, devido ao clima." Para a lavagem dos equipamentos, esta engenheira do Território recomenda que se instalem circuitos fechados, "limpando e reaproveitando a água usada, como em alguns centros de lavagem automóvel". A segunda proposta passa por instalar um centro optimizado de rega com pequenas estações meteorológicas espalhadas pelo campo associadas a um programa informático. "Este calcula as necessidades de água de cada local e depois os sistemas aspersores disparam a quantidade calculada para cada sítio", explica.

A terceira solução é regar os campos com água colectada das chuvas e dos lagos que existem no próprio campo ou até água das ETAR - Estações de Tratamento de Águas Residuais. Por último, Alexandra Almeida recomenda que se use um tipo de relva adequada ao clima: há o tipo de relva warm season (indicado, por exemplo, para o Algarve) e o cool season (que traz mais benefícios se plantado, por exemplo, no Minho). "Como a relva é adequada ao clima não vai precisar de mais água, o que diminui o consumo. Da mesma forma vai ser menos propenso a ataques de pestes, diminuindo o uso de pesticidas", diz.

No caso destes produtos, o volume usado em Portugal está a diminuir: "Os fitofármacos são caros e os gestores tem de poupar ao máximo. O uso de pesticidas envolve ainda a correcta gestão dos resíduos contaminados, feito por empresas especializadas que têm de ser pagas". A UA recomenda o uso do controlo integrado de pestes e o menor uso de adubos químicos." Já não se fazem campos 'à inglesa' desadequados do clima nacional. Bem planeado, um campo pode ser amigo do ambiente", conclui.

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