10.º Festival Paris abre sexta com 3 portugueses em cartaz

Curtas e longas-metragens de Miguel Gomes, João Salaviza e Ivo Ferreira contam-se entre os mais de 200 filmes que integram a programação do 10.º Festival Paris Cinema, que abre sexta-feira, na capital francesa.

Em declarações à agência Lusa, a diretora do festival, Aude Hesbert, disse que a festa da 10.ª edição não faz propriamente "uma revolução no cartaz", insistindo, no entanto, no caráter "unificador, popular, e, ao mesmo tempo, muito exigente da programação".

"Na verdade, tudo é novo no programa, mas nada muda. Tentámos consolidar uma arquitetura do festival que consideramos que funciona bem, com a competição internacional, um homenageado - que este ano é o cinema de Hong Kong -, e diversos eventos paralelos, com música e exposições", acrescentou.

O festival arranca, sexta-feira à noite, com o filme "Holy Motors", de Leos Carax, que esteve em competição na edição deste ano do Festival de Cinema de Cannes. O último filme do certame, "Je me suis fait tout petite", de Cécilia Rouaud, passa no dia 09 de julho, depois da entrega dos prémios, e um dia antes do encerramento oficial do evento.

Entre as oito longas-metragens internacionais em competição está o filme "Tabu", do realizador português Miguel Gomes, que venceu este ano o prémio da Crítica Internacional e o prémio Inovação no Festival Internacional de Cinema de Berlim, e que Aude Hesbert considerou "um filme magnífico, uma verdadeira história de amor".

A diretora do Paris Cinema destacou ainda a participação de João Salaviza, com a curta-metragem "Rafa", que venceu o Urso de Ouro em Berlim, também este ano, e de Ivo Ferreira, que se apresenta no quadro da rubrica Paris Project, com "Cartas de Guerra"/"Letters from War", um filme biográfico sobre as memórias da guerra colonial do escritor Antonio Lobo Antunes.

"Temos ainda um piscar de olho a Portugal com o filme 'L'été de Giacomo', de Alessandro Comodin, cuja montagem é da autoria de João Nicolau", acrescentou a diretora do festival.

Aude Hesbert sublinhou que estes filmes estão presentes em Paris "pela sua qualidade" e lamentou o que considera ser o "paradoxo de se assistir à emergência de uma geração de novos cineastas portugueses extremamente talentosos, que enfrentam, contudo, dificuldades para continuarem a fazer filmes no seu país, devido à crise e aos cortes nos apoios ao cinema".

"Para nós, a presença deles aqui é também um sinal de encorajamento. Esperamos que este impulso criativo não seja limitado pela falta de apoios", acrescentou.

O Paris Cinema estima receber cerca de 70 mil espetadores, entre as cinco salas que vão exibir filmes em permanência e os 14 locais que participam pontualmente no festival. O orçamento do evento é de 1,5 milhões de euros.

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