por ILÍDIA PINTO
Juros de 5,9% nas maturidades mais longas de 1,039 mil milhões de obrigações.
O Estado português colocou ontem no mercado 1,039 mil milhões de euros em obrigações do tesouro (OT), mas com a taxa de juro mais elevada do ano. O leilão de 378 milhões de euros, com maturidade a 11 anos, foi colocado ao juro médio de 5,973% e o de 661 milhões de euros, com maturidade a três anos, ao juro médio de 4,086%. Mesmo assim, a procura superou em duas vezes a oferta, o que levou o Ministério das Finanças a destacar "a elevada participação de uma base alargada de investidores" e o facto de os mercados não estarem "ainda totalmen- te normalizados".
Assim, para o gabinete de Teixeira dos Santos, o custo das operações é "compatível com as actuais condições de funcionamento de mercado". Assim, acrescenta, "neste contexto, foi possível realizar a operação com um custo de cerca de (-) 17,9 bps [pontos base] versus mercado secundário".
Recorde-se que as anteriores emissões comparáveis ocorreram em Março e em Junho, referentes, respectivamente, a obrigações com maturidade em Abril de 2021e em que o juro foi de 4,171% e com maturidade em Setembro de 2013 e pela qual o Estado português pagou 3,597%.
Apesar da emissão acontecer no dia em que o risco de Portugal bateu novos máximos - o prémio pedido pelos investidores para comprar dívida portuguesa em detrimento da dívida alemã, que é a referência do mercado, atingiu os 366,6 pontos base -, a procura superou a oferta em 1,9 vezes na emissão de obrigações com prazo em 2013 e em mais de 2,6 vezes na emissão com maturidade de 2021.
Os valores emitidos ficaram dentro da estimativa do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), que havia anunciado a intenção de conseguir colocar entre 750 milhões de euros e 1,25 mil milhões de euros, através de duas emissões que tinham como montante indicativo por linha 300 milhões de euros, valor abaixo do qual não teria feito a emissão e teria cancelado o leilão.
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