Visitas guiadas e passeios pedestres grátis revelam património

A estátua do poeta Luís de Camões, inaugurada em 1867, foi o primeiro grande monumento do Portugal liberal

A partir de amanhã e até dia 27, o Centro Nacional de Cultura promove a 21ª edição da Festa no Chiado, com nove visitas guiadas e cinco passeios pedestres gratuitos para revelar o património menos visível deste bairro lisboeta.

Os percursos pedestres sobre o património imaterial, como a toponímia e os lugares de memória do Chiado, e a visita à Faculdade de Belas Artes são duas das novidades deste ano, nas 14 propostas que entre amanhã e dia 27 de maio fazem a 21ª edição da Festa no Chiado, iniciativa do Centro Nacional de Cultural (CNC), iniciada em outubro de 2002 e que até 2007 acontecia duas vezes ao ano.

Maria Calado, presidente do Centro desde 2015, lembra que quando esta iniciativa começou "não havia propriamente animação no Chiado e o objetivo foi pôr a trabalhar em conjunto instituições públicas, privadas, municipais, nacionais, através da divulgação do património que é menos visível, daí o programa Portas Abertas, visitas a lugares que não se podem ver regularmente, e os Encontros à Esquina, que estão muito dentro daquilo que é a tradição do Centro". Isto porque, relembra, os já bem conhecidos Passeios ao Domingo promovidos regularmente pelo CNC, começaram com um Encontro à Esquina - mais concretamente na esquina da Rua Augusta com o Terreiro do Paço -, numa visita guiada por Nuno Portas, Jorge Gaspar e José Augusto-França à Baixa Pombalina, em 1978.

As quatro décadas desse primeiro Encontro celebram-se no próximo ano e o CNC está já a preparar uma novidade para a Festa no Chiado de 2018: no site do CNC passarão a estar referenciados todos os recursos culturais do Chiado, desde o património construído aos lugares de memória, contemplando também uma agenda. "Numa primeira fase será apenas em português, mas já com a perspetiva de vir a ser também em inglês", avança Maria Calado, revelando ainda que no site passarão a estar disponíveis "alguns roteiros temáticos que podem dar várias visitas e visões do Chiado".

Mas voltando à festa deste ano, será a presidente do CNC quem guiará os percursos pedestres "Os nomes que dão nome ao Chiado - a toponímia" e "Lugares memória do Chiado: nomes, lugares e factos", nos dias 23 e 26 de maio (ver a restante programação ao lado), duas das novidades desta edição. Dois roteiros, que explica, acabam por ter alguns locais em comum e que percorrem um horizonte temporal que vai desde a Idade Média, com os troços da Muralha Fernandina ainda sobreviventes, até à história recente, com a evocação do 25 de Abril no Largo do Carmo.

Em qualquer dos casos, a própria origem do nome do bairro é abordada. "O Chiado começou a designar-se por esse nome provavelmente no século XVII, e uma das hipóteses é a de que o bairro vai buscar o nome ao poeta António Ribeiro Chiado, que aqui viveu e está representado no Largo com o seu nome por uma escultura do arquiteto José Alexandre Soares e do escultor Costa Mota. Também há quem atribua o nome a um antigo taberneiro, de origem alentejano que tinha no Chiado um botequim com esse nome. As duas hipóteses fazem sentido, têm a ver com a identidade do bairro que é tanto de tradição cultural ligada aos escritores e às figuras intelectuais como de uma certa vida boémia, dos cafés e leitarias que aqui existiam".

Enquanto no percurso "Lugares de Memória" a historiadora Maria Calado vai "acentuar muito os aspetos relacionados com o modernismo: os cafés e os teatros", no outro roteiro mostrará como "a toponímia pode ser um ponto de partida para conhecer as figuras da história local, da cidade e nacionais, sobretudo em Lisboa, que é a capital, mas também nos diz muito sobre o espírito e a mentalidade da época em que foram atribuídos".

Por exemplo, explica, diversas das principais vias do Chiado ganharam a atual designação "no quadro das Comemorações do Centenário de Luís de Camões em 1880, momento em que se viva um nacionalismo exacerbado, estávamos num contexto europeu em que na Conferência de Berlim se discutia a posse do continente africano com o célebre Mapa Cor de Rosa e daí terem sido dados nomes de exploradores da costa africana, quase todos militares - Serpa Pinto, Vítor Córdon, Capelo, Ivens".

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