Sol da Caparica: Trovante para a mãe, Matias Damásio para a filha

Samuel Úria ao início da noite na Caparica

Festival da língua portuguesa (e com um espaço dedicado a pensá-la) apresenta um cartaz capaz de agradar a todas as idades. Recinto oferece várias atividades, além dos concertos

Manuela Anjos e Maria Leonor, mãe e filha, chegam juntas ao festival Sol da Caparica com motivações bem diferentes. "Eu não vou perder os Trovante e a minha filha vem pelo Matias Damásio", diz Manuela enquanto as duas esperam para tirar fotografias na máquina de photo booth disponibilizada no recinto. Ao lado, João Gracioso, 17 anos, e Bruna Sardinha, do Seixal, não querem perder Mishlawi. "Nós gostamos muito deste festival, sentimos que é para nós, há muita coisa para fazer", dizendo que, para eles, o concerto de Virgul foi o melhor da noite anterior.

Tal como eles, são muitos os grupos de jovens que aproveitam para carregar os telemóveis, não vá a bateria falhar para os concertos da noite. Coisa que não parece preocupar a tribo que elege o skate acima dos artistas. Treinam manobras no espaço reservado à arte de quem ensina e aprende em cima da prancha. "Ontem, os concertos estavam a dar e estava toda a gente aqui a ver as manobras!" Quem o diz é Dulce Pereira, fundadora do Radical Skate Clube, uma associação com 27 anos, pela segunda vez no Sol da Caparica, onde acorrem os melhores skaters de norte a sul do país, quando se ultimam preparativos no Half Pipe Spot para os DC Street Sessions. O que lhes interessa mesmo é divulgar a modalidade, cada vez mais bem vista aos olhos do público, segundo a mentora. "Neste ano crescemos em termos de espaço, temos aqui atletas do Porto e do Algarve, mas na verdade vêm mais pelo convívio e brincadeira do que propriamente pela competição, o que é ótimo não só para eles como para o muito público que fica a assistir", diz Dulce.

Hoje estão todos convidados a experimentar o skate, miúdos e graúdos, num dia que reserva um megaparque de insufláveis, pista de bicicletas, lugar das histórias em exclusivo para os miniparticipantes do Sol da Caparica.

No cartaz de ontem alinharam-se Teresa Salgueiro, Os Tubarões, Trovante, Manel Cruz, Matias Damásio e Rich&Mendes a fechar a noite. Todos no palco principal. Conversámos com Manuel Cruz, pouco tempo antes de ele próprio se juntar à conversa, lado a lado com Afonso Simões, e Rui Miguel Abreu, no espaço Debaixo da Língua, uma das linhas de programação de grande destaque no Sol da Caparica que relembra o debate e o pensamento sobre a língua portuguesa no panorama musical português.

Cruz diz ao DN que a língua, antes de ser uma bandeira, "deve, acima de tudo, ser a comunicação, isso sim o mais importante de tudo", sublinha um dos símbolos da música portuguesa dos anos 90. "Temos de tirar proveito da nossa língua portuguesa, com todos os defeitos e qualidades, mas devemos ser sempre originais e únicos." A poucas horas de subir ao palco principal, prometia temas novos, com muita "pica para os tocar", adiantando que o repertório Ornatos Violeta fica de parte.

Este era um concerto muito esperado, depois de Manel Cruz e a eterna Doninha terem, na véspera, unido alma e microfone no tema Casa (Vem Fazer de Conta), a canção que gravaram juntos há treze anos num dos pontos altos deste festival.

Já os nortenhos Best Youth tinham entrada em palco marcada para as 21.00 mas chegaram cedo à Costa. Em estreia num festival, Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas cantam em inglês e revelam que vai haver uma surpresa. "Estamos a gostar muito do ambiente, é a nossa primeira vez aqui, sabemos que o público é muito particular", contam, revelando que continuam a trabalhar no novo álbum, que deve sair até ao final do ano.

Fasquia alta

Mishlawi, Samuel Úria, Sean Riley & The Slowriders prometem concertos concorridos, mas a fasquia está alta desde a noite de sexta-feira, onde o reencontro foi a palavra-chave. Carlão e Virgul atuaram, um a seguir ao outro, em palcos diferentes, numa receção calorosa aos ex-Da Weasel, banda histórica de Almada, a provar que a memória vai de braço dado com eles. Desde os mais velhos aos mais novos, todos dançaram e rimaram, quer no medley de vários temas antigos oferecido pelo esfuziante Virgul à audiência ao rubro no palco Blitz, como se alistaram logo a seguir, no palco principal, sob o condão de Carlão. Seguir-se-iam os Xutos e Pontapés, no afago de sempre por uma das bandas mais queridas da música portuguesa, universal e transversal a várias gerações. Tim, Cabeleira, Zé Pedro e Calú mataram as saudades na "velha casinha" que acolheu todos de portas abertas para um desfecho de noite feliz, num voto de força também para Zé Pedro.

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