Sia, a tímida estrela pop que compõe êxitos de Rihanna e Katy Perry

Sia, na cerimónia dos Grammy no ano passado

Depois do fenómeno de "Chandelier", "This Is Acting" já é o sétimo álbum da australiana

Logo às primeiras notas ao piano de Alive, segunda canção do alinhamento do álbum This Is Acting, a memória leva-nos para Hello, o sucesso planetário que assinalou o regresso estrondoso de Adele à música, e com o qual a cantora britânica tem vindo a quebrar todos os recordes possíveis e imaginários.

A comparação não é descabida, uma vez que este sétimo álbum de originais da australiana Sia é composto somente por canções que a artista escreveu tendo em mente alguns dos seus clientes - grandes estrelas pop como Beyoncé, Rihanna ou Katy Perry - mas que acabaram rejeitadas. Alive foi pensada para integrar o último álbum de Adele, 25 (2015), sendo agora recuperada pela voz de Sia e servindo como primeiro single de This Is Acting.

Os últimos anos têm sido marcados por uma mão-cheia de canções que têm a assinatura de Sia Furler, mesmo que na maior parte das vezes não seja a sua voz que esteja no centro das atenções. Shakira, Christina Aguilera, Kelly Clarkson, Jessie J, Lea Michele, Maroon 5 ou Kylie Minogue são apenas alguns dos artistas para quem Sia já trabalhou e graças aos quais se tornou uma das mais bem-sucedidas compositoras do contexto pop mainstream dos nossos dias. Ao todo já vendeu mais de 25 milhões de cópias com as suas canções.

Poder ganhar a vida escrevendo êxitos atrás de êxitos para outros artistas - Diamonds, de Rihanna, foi composta em apenas 14 minutos - é o cenário ideal para uma personalidade como Sia, que nos últimos anos tem evitado ao máximo mostrar a cara, seja em concertos, atuações em programas de televisão ou cerimónias da indústria discográfica, ora escondendo-se atrás de perucas gigantes que lhe cobrem (quase) totalmente o rosto ora recorrendo à jovem dançarina Maddie Ziegler (que participou nos telediscos de Chandelier e Elastic Heart) para tomar o seu lugar.

A proximidade que tem com a vida de grandes estrelas pop como Beyoncé ou Adele levaram-na, precisamente, a tomar esta decisão de manter o máximo possível a sua privacidade resguardada e o controlo sobre a sua imagem pública. "Estou a tentar ter algum controlo sobre a minha imagem. E posso manter o mínimo de privacidade. Gostaria que não falassem de mim se por acaso engordei ou emagreci cinco quilos, se tenho uma extensão para o cabelo fora do lugar ou se o meu bronze falso está horrível. A maioria das pessoas não tem de viver sob essa pressão e eu gostaria de ser uma delas", disse a própria em entrevista à Interview, no ano passado.

Ao longo de This Is Acting, que chega agora às lojas, podem ouvir-se canções que, certamente, tiveram em mente nomes como Beyoncé (oiça-se Footprints), Shakira (Move Your Body) ou Rihanna (Unstoppable e Cheap Thrills). Sabe-se que Reaper, que conta com o dedo de Kanye West, era para ter sido feita para uma colaboração entre o rapper e Rihanna. Se hoje Sia consegue ter uma mão-cheia de canções que acabaram na gaveta de alguns dos mais populares artistas do momento e, ao mesmo tempo, manter-se uma compositora tão requisitada, na verdade nem sempre o vento soprou a seu favor.

Primeiros passos e a depressão

Uma das marcas características das canções de Sia passa por estas tenderem a ser baladas épicas com uma grande dose de sentimentalismo, que abordam questões sensíveis, como a depressão. Antes de todo o sucesso que hoje tem, aquando do lançamento do seu quinto álbum, We Are Born (2010), a cantora atravessou momentos muito críticos com depressão, tendo, inclusivamente, tentado o suicídio, revelou ao The New York Times. Na altura vivia dependente de álcool e de outras drogas.

Sia já recorria ao álcool desde que começou a dar os primeiros passos na música, quando tinha 17 anos e se juntou ao grupo de acid jazz Crisp, de Adelaide, Austrália, a sua terra natal. Segundo revelou ao jornal norte-americano, a sua extrema timidez quase que a impedia de subir a um palco, o que só conseguia quando bebia. Com a morte do namorado, vítima de um acidente de automóvel, mudou-se para Londres, onde veio a cruzar-se com os Zero 7, com quem colaborou durante anos. Simultaneamente manteve a sua carreira a solo, ainda que tenha demorado até chegar ao grande público que ambicionava.

Breathe Me, canção que entrou na cena final da série Sete Palmos de Terra, fez que se apontassem pela primeira vez os holofotes sobre si. Mas foi quando David Guetta decidiu utilizar Titanum, canção que Sia tinha escrito para Alicia Keys, que o seu nome (e a sua voz) começou a ganhar uma dimensão maior.

Na altura, Sia tinha gravado a melodia vocal, de forma a dar algumas indicações a Keys. Essa gravação chegou às mãos de Guetta e assim nasceu um sucesso, ainda que pouco intencional, já que a cantora australiana tinha decidido então deixar a sua carreira a solo e concentrar-se no seu percurso como compositora.

Demoraram alguns anos até que lançasse um novo álbum em nome próprio. Aconteceu com 1000 Forms of Fear (2014). Chandelier, Big Girls Cry ou Elastic Heart são alguns dos sucessos que saíram desse álbum, que colocou definitivamente o nome de Sia no mapa, mesmo que desde então evite ao máximo aparecer em público. O disco foi um sucesso planetário e só graças a Chandelier foi nomeada para quatro prémios dos Grammys.

Agora regressa a solo, mas desta vez quase que vestindo a pele de uma atriz que interpreta as próprias canções. Mesmo que não mostre a cara que dá voz a estes temas, a verdade é que agora todas as atenções recaem sobre si.

This Is Acting

Sia

RCA Records

Sony Music

PVP: 15,90euro

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