Serralves em Lisboa, com as escolhas de 20 artistas

Helena Almeida escolheu Paula Rego

Vinte artistas representados na Coleção de Serralves escolheram obras de outros artistas deste conjunto. O resultado chama-se Olhar do Artista: Obras da Coleção de Serralves e pode ser visto até 6 de agosto na Cordoaria Nacional

"Felizmente, pudémos estar em contacto com Alberto Carneiro antes de falecer. É um artista muito importante na história do museu e fizemos uma grande exposição monográfica em 2013. Temos muitas obras importantes dele na coleção", afirma a diretora do Museu de Serralves, Suzanne Cotter, diante desse conjunto de fotografias que é Trajetória de um corpo (1976-77), "uma obra pouco vista", que está no torreão Nascente da Cordoaria Nacional desde ontem, ao lado da ARCOLisboa, a feira de arte a decorrer até domingo.

Carneiro, desaparecido em abril, aos 80 anos, foi um dos 20 artistas chamados a escolher obras da coleção para integrar esta exposição. Selecionou uma obra sem título, de 1986, da artista de origem transmontana Túlia Saldanha (1930-1988). Também lá estão Paula Rego, que escolheu Eduardo Batarda e foi escolhida por Helena Almeida. É uma equação em 20 + 20 não dá 40, mas 50, como explica o diretor-adjunto do Museu de Serralves, João Ribas. Um exemplo: Ana Jotta escolheu Manuel Alvess ("É um bom artista, pouco visto", diz a artista, no caderno da exposição que será distribuído aos visitantes) e foi escolhida pela marroquina nascida em Paris Yto Barrada. Esta artista conheceu Ana Jotta quando expôs em Serralves.

Julião Sarmento pôs os olhos em Apoio Madeira-Chumbo, de 1969 e justificou-se assim: "Escolhi esta obra específica de Richard Serra não só porque gostaria de ter sido eu a fazê-la como, pelo menos, gostaria de tê-la. Não existe nenhuma relação em particular entre esta obra e a minha, a não ser que ambos os trabalhos são muito simples e diretos". Lourdes Castro disse apenas que queria uma obra de Ângelo de Sousa, e, por ela, foram selecionados três quadros. Francisco Tropa pediu que fosse apenas a obra mais pequeno da coleção de Serralves. "Saiu este pequeno objeto de Robert Filliou, \livre- Etalón! Por acaso, até tive sorte pois a relação que estabelece com a minha obra é bem curiosa...", disse o artista português, representado com sobre este trabalho de 1981 do artista francês do movimento Fluxus.

Olhar do Artista: Obras da Coleção de Serralves é a primeira exposição preparada para Lisboa desde O Poder da Arte que, em 2006, esteve na Assembleia da República. A ideia já existia na cabeça da diretora, Suzanne Cotter, explica a própria, em visita guiada à imprensa, uma hora antes da inauguração oficial. A época foi agora, numa parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e as Galerias Municipais da EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa). "Era um desafio conceber uma exposição para Lisboa, um público diferente, há uma grande comunidade artística e muitas pessoas não conhecem verdadeiramente Serralves e a sua coleção", considera a diretora. "Queríamos uma seleção, relativamente modesta, mas representativa na sua história e nas suas ambições", acrescenta, explicando que procuraram "aproveitar o contexto espacial".

"Ainda estou a perceber as narrativas", acabaria por dizer Cotter, durante a visita pela exposição. "Faz-se uma exposição dinâmica que o público pode encontrar as obras de arte e outras obras através do olhar de um artista que conhecer", nota. "Entre os artistas convidados há portugueses e estrangeiros, representativos da coleção de Serralves. "Faz-se também um pouco a história das exposições em Serralves. Temos aqui obras das exposições dos últimos quatro anos". É o que diz, por exemplo, a escolha de Liam Gillick de uma obra de Ana Hatherly. As obras do britânico, "interessando na linguagem, design e artes gráficas", sobre o trabalho da portuguesa.

As escolhas dos artistas basearam-se em diferentes critérios, explica Ana Pinho, presidente da Fundação de Serralves, fazendo as apresentações. "Porque há afinidades, porque é um artista importante para a história da arte contemporânea ou porque é um artista que não tem visibilidade suficiente", resume. A condição era que as obras pertencessem ao universo da coleção de Serralves, a começar nos anos 60.

Esta é a décima exposição de Serralves em Portugal, de um total de 29 programadas para 2017, nas contas a presidente da Fundação, Ana Pinho, salientando que a fundação já organizou 170 exposições fora de portas, uma semana depois de ter inaugurada outra, no museu, mostrando a coleção como acontecerá a partir de agora. A exposição começa e termina com um piscar de olhos ao museu no Porto.

Abre com a escolha de Monica Sosnowska: o vídeo Splitting/Separar (1974) do norte-americano Gordon Matta-Clark, cuja obra pode ser vista atualmente no museu (Spliting, Plitting, Cutting, Writing, Drawing, Eating... Gordon Matta-Clark). Encerra com Partitura de Canto Livre, de Jorge Pinheiro, uma escolha de Pedro Cabrita Reis, que está a colaborar com o museu num trabalho em torno da obra deste artista, anunciou Suzanne Cotter.

Olhar do Artista: Obras da Coleção de Serralves

Torreão Nasceste da Cordoaria Nacional

Avenida da Índia, Lisboa

Aberto de terça a sexta-feira, das 10.00 às 13.00 e 14.00 às 18.00. Sábado e domingo das 14.00 às 18.00.
Encerra às segundas e feriados.

Bilhete: 2 euros (adulto); 1 euros (menores de 25 anos); Famílias (4 euros)

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