O apreciável excesso de Dumont

Ma Loute de Bruno Dumont

"Ma Loute", Bruno Dumont

Este é um filme de risco. Bruno Dumont, que no anterior O Pequeno Quinquin saudava explicitamente o registo cómico, assumiu com Ma Loute uma boa dose de loucura e insuflou o seu cinema de bizarria. "Insuflar" é a palavra. Mas o género não é um rótulo. Ma Loute é um estranho objeto que mexe com os lugares-comuns e os transforma em paisagem trágica e burlesca.

Tudo se passa na região norte de França, década de 1910. Burgueses afetadíssimos, pescadores sombrios, uma dupla anedótica de polícias (qual Bucha e Estica), e outros exemplos de humanidade reúnem-se aqui numa narrativa detectivesca - sobre o misterioso desaparecimento de turistas na zona - que tem mais de surrealismo do que pistas a seguir. Dumont interessa-se pela extravagância das suas estrelas (Binoche, Luchini, Tedeschi), e nós somos devorados pelo cúmulo. Um delírio au naturel.

Classificação: *** (Bom)

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