Análises ao quadro "Chafariz d"el Rei" confirmam que é do século XVI

"Chafariz d'el Rei"

A autenticidade da obra que faz parte da exposição ""Cidade Global - Lisboa do Renascimento" tinha sido posta em causa por alguns historiadores.

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, anunciou que as análises à pintura "O Chafariz d"el Rei" indicam que é datada da segunda metade do século XVI, contradizendo as dúvidas sobre a autenticidade da obra.

Num comunicado divulgado na quinta-feira à noite, o MNAA apresentou os resultados das análises técnicas e materiais do quadro, realizadas por equipas do Laboratório José de Figueiredo e do Laboratório Hercules.

"O Chafariz d"el Rei" é uma das obras em exposição na "Cidade Global - Lisboa do Renascimento" cuja autenticidade foi colocada em causa pelos historiadores Diogo Ramada Curto e João Alves Dias em textos publicados pelo semanário Expresso em fevereiro.

As outras obras questionadas pelos historiadores são "A Rua Nova dos Mercadores", ponto de partida da exposição, que apresentam cenários da Lisboa do século XVI, e pertencem à Sociedade de Antiquários de Londres.

Na sequência da divulgação pública das posições dos dois historiadores, a direção do MNAA, com o apoio da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), decidiu pedir autorização aos proprietários para realizar análises às obras.

O colecionador José Berardo autorizou as análises ao quadro que estava datado de entre 1570 e 1580, mas, segundo o comunicado do MNAA, a Sociedade de Antiquários de Londres "não permitiu a realização de análises em Portugal".

"A Rua Nova dos Mercadores", que os investigadores têm situado entre 1590 e 1610, está dividida em dois painéis e também esteve no centro da polémica.

Sublinhando o seu entusiasmo pelo êxito da exposição, os responsáveis dizem, em resposta ao pedido do MNAA, ter lido "com interesse as especulações na imprensa portuguesa acerca da autenticidade das obras".

"Existem provas documentais claras de que as pinturas se encontram em Kelmscott Manor desde meados da década de 1870, quando Dante Gabriel Rossetti as trouxe para aqui. (...) Assim sendo, é impossível que as pinturas sejam falsificações do século XX, como foi especulado. Como instituição responsável, não podemos aceitar um pedido de análises científicas em resposta a especulações jornalísticas", afirmou a instituição.

A entidade britânica admite no entanto, a hipótese de realizar análises às obras em Londres, com base em questões de ordem científica, supervisionadas pelos Antiquários, numa instituição certificada, e financiadas pelo MNAA.

No entanto, o museu conclui: "Sendo, pois, inquestionável, o valor histórico e documental de ambas as pinturas como testemunhos contemporâneos da realidade urbana que a evolução da cidade de Lisboa e o terramoto de 1755 definitivamente ocultaram, confirma-se a justeza da sua integração na exposição. Informação de índole mais detalhada releva apenas para o estudo da olisipografia, pelo que o MNAA não perspetiva a realização de mais análises".

Quanto aos resultados das análises realizadas a "O Chafariz d"el Rei", o museu indica que foram efetuados exames de área (fotografia de fluorescência de ultravioleta, refletografia de infravermelhos, radiografia de raios X) e exames de ponto (análise 'in-situ' por EDXRF e análises laboratoriais de seis micro-amostras recolhidas em zona de lacuna da camada cromática).

O pedido de análises laboratoriais incluiu também a identificação da natureza da madeira do suporte.

A polémica sobre a datação das obras, que as teorias dos dois historiadores apontam para uma criação do século XX, levou o diretor do museu, António Filipe Pimentel, a defender antes da inauguração da exposição, em fevereiro, a credibilidade do trabalho das historiadoras Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe, curadoras da exposição e autoras do livro "The Global City: On the Streets of Renaissance Lisbon", sobre o qual assenta.

Nele, as autoras fazem uma reconstituição do ambiente da cidade de Lisboa no ciclo dos Descobrimentos, a partir de dois quadros que haviam identificado como uma representação da rua Nova dos Mercadores, a principal artéria comercial de Lisboa no período do Renascimento.

Sobre as notícias de Expresso, o diretor afirmou, na altura, que, nesta questão que "é do foro da História da Arte", o semanário deu voz "a dois historiadores, assumidamente não especialistas nesta área científica, deixando em silêncio os da especialidade, não obstante reconhecer os seus contributos, genericamente de orientação oposta".

A exposição "A Cidade Global", que reúne cerca de 250 obras da época, desde mobiliário, pintura, livros, e tapeçaria, entre outros, encerra no domingo.

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