A via-sacra segundo Mizoguchi

Os Amantes Crucificados, Kenji Mizoguchi

Numa semana em que o cinema de Kenji Mizoguchi volta às salas, na expressão sublime de Os Amantes Crucificados (1954) e Contos da Lua Vaga (1953), além do admirável e menos conhecido A Mulher de Quem se Fala (1954), sublinho aquele que será um dos atos mais poéticos desta filmografia.

No esplendor da última fase da sua obra, Os Amantes Crucificados é o título que, numa imagem, combinando o luar, a sonoridade do teatro Kabuki e a robustez dramática das personagens, nos atira numa das mais belas fugas trágicas da história do cinema. Fora da geometria e dinâmica dos espaços interiores (fundamentais à arte de Mizoguchi), com que o filme se inicia, o desespero, ao mesmo tempo, violento e sereno dos corpos destes amantes lançados na paisagem, é o ponto extremo de uma emancipação lírica. A cruz é o destino, e para ela se dirigem de rosto sereno.

Classificação: ***** (excecional)

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