A felicidade segundo Mafalda Veiga

Mafalda Veiga regressa com novos músicos

A cantora apresenta pela primeira vez ao vivo o novo Praia, um disco "mais solto e pessoal", como a própria o descreve, que serviu também para alargar horizontes musicais. É já hoje à noite, no Teatro Tivoli, em Lisboa

O é que ser feliz? A uma pergunta como esta, tentar-se-á dar como resposta algo mais profundo, apesar de ser a partir das pequenas rotinas do dia-a-dia que se começa a construir a felicidade. Coisas tão simples como um fim de tarde à beira-mar, ver o nascer do sol na companhia de quem se gosta ou a simples recordação de um primeiro amor, como as que Mafalda Veiga canta no seu último trabalho, Praia, editado no final do ano passado e que esta noite será pela primeira vez apresentado ao vivo, no Teatro Tivoli, em Lisboa - na quarta-feira seguinte será a vez da Casa da Música, no Porto, o ouvir.

"Sim, é um álbum solar, que tem que ver com o que nos deixa de bem com a vida. E isso tanto pode ser algo profundo como uma coisa perfeitamente banal", explica a artista em conversa com o DN, assumindo que o novo trabalho representou também uma mudança a nível musical. Para a acompanharem neste novo capítulo da sua carreira, Mafalda Veiga rodeou-se de um conjunto de músicos oriundos das mais variadas latitudes (tanto sonoras como geográficas). O núcleo duro foi composto pelo baixista Miguel Barros, pelo guitarrista Marco Nuno e pelo baterista Fred Ferreira, que também produz o disco e a quem se juntaram nomes como Filipe Raposo, Frankie Chavez, Francis Dale (que também irá estar presente nestes espetáculos), a violoncelista brasileira Dom La Nena e ainda o seu compatriota Ricardo Dias Gomes, pianista na banda de Caetano Veloso.

"À exceção do Fred, que já havia produzido o meu disco anterior, foi a primeira vez que trabalhei com estes músicos e a presença deles permitiu-me ter mais liberdade para cantar, tal como sinto quando componho. Essa é a principal diferença deste disco, quando comparado com os anteriores, o facto de eu estar muito mais solta. Foi apenas isso que eu pedi ao Fred, antes de começarmos a gravar", revela Mafalda Veiga. O resultado foi um disco assumidamente pop e urbano, feito de pequenas histórias do quotidiano, nas quais Mafalda Veiga expõe, também, um pouco de si própria. "À exceção talvez do primeiro, todos os meus trabalhos têm esse lado urbano, porque vivo em Lisboa e essa é a minha realidade, a principal diferença é que desta vez optei por escrever sobre mim e sobre a relação que tenho com a cidade de uma forma mais íntima", refere.

A autora prefere assim descrever Praia como "um álbum direto e simples", até porque, confessa, nem gosta assim tanto de ir para estúdio e algumas das músicas foram gravadas com os músicos a tocar todos juntos, como se estivessem ao vivo.

É toda esta "dinâmica de mudança" que Mafalda Veiga pretende também transpor para os espetáculos desta nova digressão. Nos concertos de Lisboa e do Porto, o disco será apresentado na íntegra, mas também serão tocadas algumas canções mais antigas, "aquelas que o público gosta sempre de ouvir e têm que ver com a sonoridade e a temática mais feliz e luminosa deste trabalho".

O regresso aos Pássaros do Sul

Haverá ainda alguns momentos especiais, "mais cénicos do que musicais", com o objetivo de sublinhar essa mesma temática. "Tentei criar um espetáculo que fizesse sentido para mim", sublinha. O facto de estar acompanhada pelos mesmos músicos com quem gravou o disco também ajudou nesse objetivo: "Permitiram-me pegar nos temas mais antigos com um outro olhar, mais fresco e estimulante, que me deu muito prazer e permitiu redescobrir essas canções", observa.

Uma das maiores surpresas do disco e com certeza também do espetáculo é a primeira incursão de Mafalda Veiga pelo fado, no tema Fado. Foi por influência de um tio materno, guitarrista de fado, que Mafalda começou a compor, quando ainda era criança. Pedro da Veiga, assim se chamava, chegou a acompanhar vários fadistas conhecidos do grande público, como Nuno da Câmara Pereira, e foi ele quem incentivou a então adolescente Mafalda a escrever temas como Velho, com o qual venceu, em 1984, o Festival da Canção da cidade de Silves, e mais tarde incluída no álbum de estreia Pássaros do Sul, editado três anos depois.

"Era um desejo antigo, fazer uma incursão pelo fado, porque é um meio onde sempre fui muito bem tratada, mas tinha alguns receios. Curiosamente, foi a composição que me saiu mais rápido e uma das que me deu mais prazer fazer, pelo modo como me permitiu reviver todas essas memórias. É uma canção sobre o meu amor a Lisboa e sem dúvida uma das que mais gosto em todo o disco." Poderemos então, um dia, esperar um disco de fados de Mafalda Veiga? "Quem sabe? Gostei tanto da experiência que pode ser que sim. Era giro..."

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